Não foi isso que o líder ucraniano recebeu como oferta de aniversário do seu país que em 1991 deixou a então URSS para ser um Estado independente, embora Donald Trump tenha sido elogioso para a resiliência ucraniana ao mesmo tempo que dava um empurrão à paz.

Há muito que os EUA se estão a afastar do conflito no leste europeu, embora sem nunca deixarem de mostrar que estão do lado ucraniano, interrompendo, com a chegada de Trump à Casa Branca, o fornecimento de armas directamente e dinheiro para alimentar o esforço de guerra de Kiev.

Perante isso, sem dar a Zelensky o que este disse publicamente que precisa, que é de pelo menos 300 mísseis Patriot para se defender dos ataques russos ao longo do próximo inverno, Trump optou pelo elogio à capacidade de sacrifício dos ucranianos e à sua resiliência.

O Presidente dos Estados Unidos ofereceu-se para dar um novo impulso aos esforços de paz para que o potencial da Ucrânia possa ser concretizado, numa mensagem dirigida na segunda-feira ao homólogo ucraniano.

O teor da mensagem foi revelado esta terça-feira pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tornando pública a carta de felicitações que recebeu na segunda-feira do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, por ocasião do 35.º aniversário da independência da Ucrânia.

Na mensagem, Trump ofereceu-se para dar "um novo impulso aos esforços de paz para que a Ucrânia possa concretizar o enorme potencial".

"Vamos aproveitar este momento para pôr fim ao conflito e construir uma paz duradoura que liberte o enorme potencial da Ucrânia para as próximas gerações", referiu Trump, que transmitiu a Zelensky "admiração" pelo "espírito resiliente" e pelos "sacrifícios" da Ucrânia.

O Presidente dos Estados Unidos expressou ainda "confiança" no futuro da Ucrânia "como uma nação soberana e próspera" e referiu-se à "amizade" entre os dois países.

Zelensky, que publicou a carta de Trump nas redes sociais, destacou o tom "invulgarmente caloroso" da mensagem de Donald Trump em relação à Ucrânia.

Paralelamente, Zelensky referiu-se ainda aos mísseis norte-americanos de que a Ucrânia necessita para se proteger dos mísseis balísticos russos.

A escassez da tecnologia norte-americana torna a Ucrânia "extremamente" vulnerável face às capacidades da Rússia tendo Zelensky ambicionado receber, o mais rapidamente possível, mais mísseis PAC-3 dos Estados Unidos, financiados pelos parceiros europeus.

Kiev solicitou também aos Estados Unidos permissão para fabricar os mísseis: Trump deu "luz verde" a essa possibilidade no mês passado, durante um encontro com Zelensky, mas recuou em algumas das mais recentes declarações públicas.