O facto de em 2021 a 2025 a população imigrada em Portugal ter mais do que duplicado remete-nos para as consequências da pandemia da Covid-19, declarada em Março de 2020, com início de superação em 2022, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) a considerasse debelada mais tarde.
Como é sabido, a pandemia deu causa a sérios constrangimentos na mobilidade mundial das pessoas e dos bens, paralisando ou condicionando seriamente o comércio e as transacções, afectando o crescimento do PIB mundial e o da esmagadora maioria dos países, gerando inflação, ou seja, subida do preço dos bens, incluindo os alimentares e arrastando encerramento e falências de empresas, desemprego e desigualdades.
Com a retoma da normalidade da vida, o mundo passou a assistir, a partir do termo da pandemia, à intensificação de processos migratórios de cidadãos economicamente mais afectados com destino para países com melhor qualidade de vida, entre eles integrados na União Europeia.
Neste quadro, os media mundiais deram relato de situações pungentes, em que o mar mediterrâneo se converteu num cemitério, em resultado de naufrágios de cidadãos que, em desespero, foram presa fácil de exploradores da miséria alheia, com navios superlotados em viagens clandestinas pagas a preço de ouro para quem nelas embarcava e muitas vezes pagando com a própria vida.
Naturalmente, este é o lado dantesco da própria cupidez de uma exploração sem escrúpulos e por muito que não possamos silenciar um grito de protesto e revolta, pelo que os media relataram, sobretudo no mar mediterrâneo, a percentagem mais expressiva da imigração ocorrida no período subsequente à pandemia foi enquadrada, e bem, pela legislação dos países de acolhimento.
Regressando aos recentes dados estatísticos da imigração em Portugal há que ter presente que, face ao baixo crescimento da demografia de cidadãos nacionais, são os estrangeiros que contribuem para que a população activa, ou seja, aquela que trabalha, não só não diminua como reforce as faixas etárias centrais e não dos mais velhos , o que é duplamente importante para o país, pelo rejuvenescimento .
É que em Portugal o saldo entre os óbitos e os nascimentos de cidadãos nacionais é negativo há vários anos e daí o contributo acrescido do processo migratório.
De notar ainda que os imigrantes ao terem uma vida activa, pagam impostos e descontam para a Segurança Social, fazendo reforçar pelos valores contributivos a própria solvabilidade desta, o que também não é questão menor...
Significativo e relevante é também o facto de no ranking dos cidadãos com maior percentagem de imigrados serem os originários de países de língua oficial portuguesa, do Brasil em primeiro lugar, com 574000 cidadãos , em segundo de Angola com 108000, aparecendo Cabo Verde em quatro com 76000 , antecedido pela Índia com menos de 100000 e com o Nepal em quinto lugar com 57000.
A percentagem muito significativa de cidadãos imigrados de países de língua portuguesa é natural, em função da língua comum, do relacionamento entre os povos de países integrados na CPLP, da partilha de culturas, da afectividade, tudo a facilitar uma boa e desejada integração, com princípios aliás reconhecidos na Constituição da República portuguesa.

Os imigrantes, hoje com uma percentagem muito relevante dos residentes em Portugal ,prestam um contributo muito significativo para o desenvolvimento do presente e do futuro da economia e os originários de países de língua oficial portuguesa reforçam neste mundo multipolar a importância da cooperação e da entreajuda dos povos e países da CPLP