A capital do Kwanza-Sul continua igual a si mesma, um ano depois de o candidato do MPLA às eleições presidenciais de 2022, ou melhor, o "candidato dos candidatos", que usava e abusava dos meios do Estado para promover a sua própria sucessão, ter prometido a construção de uma nova via rodoviária para evitar a sobrecarga da actual, onde, diariamente, circulam centenas de veículos, sobretudo os pesados de mercadorias e passageiros, com o destino a Benguela e outras paragens, ou em sentido inverso.

Há anos, se não mesmo décadas que as ruas do Sumbe clamam por um novo tapete asfáltico, e os seus habitantes esperam e desesperam por uma melhor qualidade de vida. Os munícipes, quando não "comem o pó" durante a época do cacimbo, ficam atolados na lama à conta das chuvas que se abatem ciclicamente sobre a cidade e que têm causado inundações e transtornos, com maior incidência nos bairros pobres e degradados da cidade.

Cinco horas depois de deixar o terminal de Luanda, o autocarro da empresa de transportes colectivos Huambo Expresso toca a capital do Kwanza-Sul.

A viagem de 330 quilómetros, entre as duas localidades, na conhecida EN 100, faz-se por meio de uma estrada estreita e em alguns pontos sinuosa, sendo considerada uma das mais mortíferas do País, devido aos vários acidentes que se registam nesse traçado.

No autocarro, com capacidade para transportar 48 passageiros, os que viajam na parte dianteira e na cauda do veículo são os que mais parecem sofrer com as trepidações, devido aos buracos na via e aos desnivelamentos do asfalto.

De fabrico chinês, o "Yotong" vai lotado e tem como destino final a cidade do Lubango, depois de uma paragem no Sumbe e na "Califórnia de Benguela", para largar e pegar novos passageiros.

À partida, cada passageiro recebe dois pacotitos de bolacha e uma garrafinha de água, "uma oferta da empresa", como diz à porta do autocarro um simpático funcionário da Huambo Expresso.

Em matéria de acomodação, o autocarro da nova empresa de transportes interprovincial em nada fica a dever aos seus congéneres que rasgam as estradas da Europa ou do continente asiático. Dispõe de um serviço de ar condicionado, uma porta de saída USB para equipamentos electrónicos, de TV a bordo, embora esse último funcione com alguma debilidade.

Apesar de dispor de cintos de segurança individuais, ninguém faz uso dos mesmos, à excepção do motorista.

Por questões de segurança, o veículo não excede os 70 Km/hora, sob pena de o motorista vir a sofrer penalizações caso viole essa regra básica da companhia, sendo a velocidade monitorada por controlo remoto (GPS).

No Sumbe, uma paragem obrigatória para a troca de motoristas, o autocarro demora mais do que tempo previsto, sem que ninguém se dignasse a informar aos passageiros sobre o atraso da partida.

A noite já ia dentro quando o autocarro deixou o Sumbe e prosseguiu a viagem rumo a Benguela. Na Canjala, uma localidade que, no passado, ficou tristemente conhecida pelos horrores da guerra, o Huambo Espresso efectuou uma das paragens de aproximadamente 30 minutos.

À porta do autocarro, mulheres e crianças apregoavam à venda dos seus produtos: maçacoca e mandioca fervidos, ginguba torrada, frutas e outros alimentos do campo. No ar, uma profusão de cheiros de carnes assadas, sobretudo de galinhas de filiação, ou seja, das que têm pai e mãe...

O Lobito é a penúltima das muitas paragens feitas ao longo das 10 horas de viagem, antes do "Yotong" chegar a capital das Acácias Rubras.

À entrada da cidade que, no passado, já foi considerada a "sala de visitas" de Angola, o Alto Liro e os bairros adjacentes estão mergulhados numa profunda escuridão, sendo essa quebrada por uma ou outra lâmpada alimentada por uma fonte térmica de geração de energia.

10 horas depois da viagem, o Huambo Expresso imobiliza-se, finalmente, no terminal de Benguela, num espaço de terra batida. Alguns passageiros se queixam da demora na abertura das bagageiras.

Ao cansaço da viagem, junta-se o desconforto das casas de banho, nauseabundas, sem água corrente e com os reservatórios desprovidos desse precioso líquido.