O BD diz que "as chuvas expuseram a falência absoluta das infra-estruturas públicas, deixando milhares de cidadãos isolados, habitações destruídas e o tecido económico paralisado", chamando a atenção para os bairros do Codel, Santa Teresa, Makangaralo, Quioxe, Compão, Kalomanga, que "estão em estado de sítio, deixando ao relento dezenas de milhar de famílias".

Segundo o BD, o Governo Provincial de Benguela "demonstrou total incapacidade de gerir a crise".

"As infra-estruturas recentemente construídas e reabilitadas que deveriam servir de protecção, revelaram-se armadilhas técnicas devido à falta de drenagem adequada, erros de engenharia e construtivos. Como é costume e copiando o estilo de gestão central não há manutenção de pontes e diques e de outras infra-estruturas até que a desgraça justifique uma grande obra, onde se factura indevidamente", acusa o Bloco Democrático em comunicado.

O BD alerta ainda o Chefe de Estado para o risco iminente de "perda de vidas humanas".

"Com bairros inteiros submersos e o colapso de vias de comunicação, pontes de comboio e de conduta de água potável destruídas, a assistência humanitária e médica está comprometida. Metade da cidade está sem água potável", refere.

Para o Bloco Democrático, "apenas a mobilização de meios nacionais, sob o regime de estado de emergência, permitirá a evacuação segura e o socorro às vítimas, como a débil acção dos bombeiros locais tem comprovado, com escassa capacidade de alimentação e alojamento".

"É tarefa fundamental do Estado garantir da unidade nacional e a segurança dos cidadãos, accionar os mecanismos constitucionais previstos para situações de catástrofe pública, mobilizando as Forças Armadas e a Protecção Civil Nacional, insiste o BD, que considera que a declaração de estado de emergência permitirá não só salvar vidas agora, mas também iniciar "uma auditoria rigorosa sobre a qualidade das obras públicas que, embora tenham custado biliões aos cofres do Estado, "derreteram" na primeira prova real".