Muitos membros da sociedade civil e dos partidos políticos da oposição interpretam o discurso do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, como sendo um pedido de desculpas, ao referir que "os erros deverão ficar no passado e servir de critério para corrigir o presente e projectar o futuro".

Na abertura do VII Ordinário do partido, o líder do MPLA reconheceu que "só não erra quem não trabalha, mas o MPLA trabalha e faz e o povo sabe e está sempre empenhado em fazer mais e melhor".

Na opinião do activista dos direitos humanos, Hangala Sebastião, "o discurso de JES é um pedido desculpa ao povo sobre os erros cometidos durante a sua governação".

O membro da UNITA Ernesto Jamba Paulo tem uma interpretação semelhante, mas com uma nuance. Segundo ele, os erros que o líder do MPLA disse fazerem parte do passado "são propositados".

"Quantas vezes é que são advertidos e nunca deram ouvidos aos outros?", interrogou-se, salientando que esse pronunciamento não tem cabimento.

O secretário da Administração e Finanças da CASA-CE, Alberto Muanza, afirmou que "se as falhas já fazem parte do passado, doravante os infractores deverão ser responsabilizados".

De acordo com Lutango Santos, da FNLA, o partido que governa Angola, desde 1975, tem "grandes responsabilidade" e deve conduzir o "barco a bom porto".

"A situação, neste momento, inspira cuidados e o MPLA já assume publicamente as falhas que nunca quis aceitar", afirmou.

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