A UNITA tinha programado um comício de comemoração dos 92 anos do seu presidente fundador, acto que havia sido previamente comunicado à Polícia Nacional e às autoridades locais.

"O PRA-JA SERVIR ANGOLA manifesta a sua total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afectados pelos acontecimentos registados no Uíge", diz um comunicado do partido liderado pelo Abel Chivukuvuku.

"Entendemos que, numa democracia, os partidos políticos têm o direito de realizar as suas actividades dentro da lei", acrescenta a nota onde também se lê que a Polícia Nacional é "uma instituição do Estado e deve actuar como uma verdadeira Polícia republicana, ao serviço de todos os angolanos".

O PRA-JA SERVIR ANGOLA considera que a actuação da Polícia Nacional e das autoridades locais no Uíge deve ser analisada com seriedade pelas instâncias nacionais com responsabilidades a jusante destes acontecimentos graves.

O Bloco Democrático manifestou também solidariedade e exigiu responsabilização do Estado e investigação após os "episódios de tensão e repressão policial contra militantes da UNITA na província do Uíge", apelando ao fim da violência.

"O BD exige respeito à liberdade de circulação e expressão de líderes políticos e activistas, condena ações que visam limitar a actuação da oposição e da sociedade civil", diz o documento.

A FNLA, na voz do seu membro do comité central, Ndonda Nzinga, também condenou a acção apelando à Polícia Nacional que se abstenha de qualquer conduta que promova a intolerância política, enfatizando a importância da manutenção da paz, da tolerância e dos valores democráticos em Angola.

"Estes actos já não podem ter lugar no nosso País. A FNLA defende a unidade nacional, depois de vários anos do conflito armado que destruiu Angola", referiu.

O Partido Liberal, formação extraparlamentar, lamentou o acontecimento, frisando que a democracia não pode ser construída através de confrontos, da intolerância ou de hostilidade entre cidadãos.

"É neste espírito que apelamos solenemente às lideranças do MPLA e da UNITA para que assumam, perante à Nação, uma postura de responsabilidade e moderação contribuindo para evitar qualquer escalada de tensão e promovendo um ambiente político baseado no respeito, na serenidade e no dialogo", diz uma nota do partido,

A direcção do MPLA no Uíge reiterou a posição da Polícia Nacional esclarecendo que a UNITA realizou uma actividade partidária em local "inapropriado" junto do Tribunal da Comarca.

"A comarca fica numa das principais e mais movimentadas ruas da cidade. Por isso, o Governo Provincial indicou outra área rejeitada pela UNITA", justificou um membro do comité provincial do MPLA no Uíge.

O Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, disse que a direcção do partido recorreu à Presidência da República, face a este incidente que entristece a democracia no País.

"A Presidência tem conhecimento disto. Vamos ver o que vai acontecer", declarou, sublinhando que o partido vai pedir responsabilização do governador e do ministério do Interior.

"O que assistimos é uma agressão aos angolanos e não apenas à UNITA. O que vimos é excesso de força desnecessária", apontou, salientando que o que foi constatado é um estado de guerra estúpido, violento, desproporcional",

O líder da UNITA responsabilizou directamente o governador do Uíge e o comandante provincial da Polícia, que classificou como "incompetentes e irresponsáveis".

Este episódio de extrema violência, como se pode verificar nos múltiplos vídeos e imagens captadas, foi um dos mais graves envolvendo a UNITA e as forças policiais, em vários anos.

As imagens são de tal modo graves que os media internacionais lhe deram destaque durante o fim-de-semana, tendo mesmo a CNN Internacional passado uma peça ao longo da sua emissão onde enfatizava a ideia de que a "democracia em Angola permanece frágil", o que vários analistas consideram ser um rude golpe na imagem do país fora de portas.