Apesar de o Bureau Político (BP) do MPLA não ter dito no comunicado da sua última reunião, na segunda-feira, onde José Eduardo dos Santos esteve presente e liderou os trabalhos, que a lista de deputados será definitivamente aprovada e anunciada, o seu anúncio é aguardado com alguma expectativa depois de a generalidade da imprensa angolana e estrangeira ter dado como confirmado o nome de João Lourenço como nº 1.

Após a reunião do CC do MPLA em finais de 2016, os nomes que vão encabeçar a lista foram, pelo menos, burilados, chegando mesmo a ser divulgado um documento onde constam nos três primeiros lugares os nomes de João Lourenço, candidato a Presidente da República, em segundo o ministro Bornito de Sousa, para Vice-presidente e Fernando da Piedade dias dos Santos, actual Presidente da Assembleia Nacional, em terceiro, concorrendo à renovação do cargo que ocupa.

Para além deste documento, levando a que admitir a sua confirmação seja a aposta mais razoável, alguns dirigentes de topo do MPLA também afirmaram em público que José Eduardo dos Santos, que há meses tinha anunciado a sua saída para 2018 da vida política activa, não fará parte da lista final de candidatos.

Todavia, recorde-se que o CC de Dezembro realizou-se escassos dias antes das comemorações do 60º aniversário do MPLA, cujas cerimónias centrais tiveram lugar no Estádio 11 de Novembro, coincidindo com o arranque da pré-campanha eleitoral do partido, e nas quais se esperava o anúncio formal da lista "encabeçada" por João Lourenço, o que acabou por não acontecer.

Quando se esperava que a confirmação acontecesse, assim não tendo acontecido, o país assistiu a uma nova vaga de especulações, encimadas pelo eventual recuo de José Eduardo dos Santos na sua intenção de não surgir como candidato, alimentadas em grande medida por notícias de que, internamente, tinham surgido facções que estavam a construir uma vaga de fundo para convencer o actual Chefe de Estado a assumir a candidatura do MPLA à Presidência do país.

Sendo certo que o BP do MPLA não confirmou que as listas vão ser aprovadas na sexta-feira, pelo menos sabe-se que estas foram apreciadas na segunda-feira pelo "Bureau", cujos trabalhos da reunião tiveram José Eduardo dos Santos ao leme.

Um dos pontos a favor da ideia de que estas estão já fechadas, sujeitas apenas a acertos de última hora, é que, se por um lado se confirmar João Lourenço, o partido precisa de mais tempo para que o seu candidato se afirme perante o eleitorado, e, por outro, se, afinal, José Eduardo dos Santos, surgir como nº1 de novo, depois deste tumultuoso processo, o MPLA vai precisar igualmente de mais tempo que o normal para explicar aos eleitores o porquê da ideia de indecisão que permitiu que fosse construída.

Como pano de fundo para este processo, onde alguns analistas defenderam que o MPLA pode, como dificilmente se viu ocorrer no passado, ter perdido o controlo, pelo menos inicialmente, da informação veiculada para o exterior, está a divulgação, em Março de 2016, pelo próprio José Eduardo dos Santos, de que 2018 marcará a sua saída da vida política activa, permitindo assim a renovação na liderança do partido que dirige desde 1979, ano em que substituiu, por morte deste, o Presidente e fundador do MPLA, António Agostinho Neto.

Mas é igualmente verdade que com o apontar de 2018, José Eduardo dos Santos pode ter querido dizer que se manterá como líder do MPLA e que assumirá a candidatura, enquanto cabeça de lista, deixando então, depois, o lugar para o seu número dois.

Neste cenário, no caso de José Eduardo dos Santos acabar por surgir como cabeça de lista, se João Lourenço for o seu nº 2, no fim acabar-se-á por confirmar que todos tinham razão: José Eduardo dos Santos deixa a vida política activa em 2018 e João Lourenço assume a Presidência do país... se o MPLA sair vencedor das eleições de Agosto próximo.