Ao NJ, o chefe da secção de hemoterapia da unidade hospitalar, António Cassenda Cândido, explicou que "o baixo peso, doenças como a malária, HBS, sífilis, VDRL, HCV, hipertensão e o período menstrual" estão entre os principais factores que impediram a recolha de sangue.

O responsável referiu, também, que a triagem rigorosa é necessária para garantir a segurança do sangue destinado aos pacientes e evitar riscos durante as transfusões.

Disse, igualmente, que das 117 bolsas de sangue equivalentes a 58,5 litros (58.000 mililitros), 76 são do grupo O positivo, 19 do A positivo, 13 do B e 9 do AB.

António Cassenda Cândido acrescentou que a colecta representa uma quantidade insuficiente para atender as necessidades do Hospital Regional, Provincial, Materno-Infantil, Sanatório e as unidades sanitárias municipais de Cacuso e de Malanje, no Quéssua.

Está prevista a recolha de 300 bolsas sanguíneas até ao final deste mês de Junho, concluiu.

Esta iniciativa enquadrou-se na primeira fase da campanha "Junho Vermelho" e inseriu-se nas comemorações do Dia Mundial do Doador.

Para a pediatra do Hospital Provincial Materno-Infantil, que realiza diariamente 30 a 40 transfusões de sangue, 20 bolsas de sangue servem apenas para ser utilizadas durante 72 horas.

"Nós aqui no HRM é o mesmo, realizamos 20 a 30 hemotransfusões/dia, se nós recebermos entre 20 ou 30 unidades em menos de 24 horas podem terminar", justificou.

Já a Associação Vida Angola (AVA), que se juntou a esta causa, referiu que "só neste ano (2026) foram mobilizados, a nível nacional, mais de 200 voluntários que doaram sangue, nas quatro campanhas realizadas nas províncias do Bengo, Luanda, Cuanza Norte e esta em Malanje", salvando 600 pessoas nesse período.

O missionário da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus Ministério do Maculusso (Luanda) e Campo Missionário Divina Luz, Domingos Vember, que encabeçou um grupo de 100 doadores (75 pessoas no primeiro turno e 25 no segundo), sublinhou que doar é salvar vidas e "nenhum cristão deve ficar de braços cruzados quando há almas que necessitam de ajuda".

Por fim, o desbravador André Quima, da Igreja Adventista do 7.º Dia Central-Malanje, que participou do gesto solidário pela segunda vez, afirmou que a sessão era de alegria porque o seu sangue vai salvar vidas.

"Ouvimos o grito de socorro do HRM e fomos seleccionados 16 militares e que entre esses apenas um não doou por razões de saúde", afirmou o oficial de assistência e apoio social da Repartição de Pessoal e Quadros da Região Militar Médio Cuanza, capitão Silva Fernando.