Segundo o MINAGRIF, a população e os órgãos de defesa e segurança estão informados sobre a proibição da entrada de animais provenientes da Namíbia, para qualquer fim, no território angolano.

A informação foi avançada esta quarta-feira, 14, ao Novo Jornal, por Cláudio Simão, chefe do departamento do Instituto dos Serviços Veterinários do Cunene, província que partilha uma extensa fronteira com a Namíbia.

Segundo Cláudio Simão, as autoridades mantêm uma vigilância activa e aconselham os criadores a procurarem os serviços veterinários perante qualquer sinal clínico da doença.

A região do Zambezi (Caprivi), que faz fronteira com a província angolana do Cuando, é uma das zonas da Namíbia afectadas pelo surto de febre aftosa, que já levou a União Europeia a proibir importações de carne daquele país.

O surto, que, segundo as autoridades sanitárias, está a espalhar-se pelo território namibiano, gerando preocupação, representa também uma ameaça para Angola, devido à proximidade geográfica entre a antiga região namibiana de Caprivi e a nova província angolana do Cuando.

A região, actualmente conhecida como Zambezi, faz ainda fronteira com o Botswana, a Zâmbia e o Zimbabué, constituindo um risco regional de propagação da febre aftosa e exigindo medidas coordenadas e céleres por parte dos países da região.

Ao Novo Jornal, o Ministério da Agricultura e Florestas assegura que, até ao momento, não foi registado qualquer caso suspeito da doença em Angola.

Fronteira de risco

Até ao momento, além da região de Zambezi, o Departamento dos Serviços Veterinários da Namíbia (DVS, na sigla em inglês), apontou no mapa como zona afectada a região de Kharas, no sul, que faz fronteira com a África do Sul.

Estão confirmados laboratorialmente, com referência a 06 de Outubro, 129 casos em 17 fazendas, tendo isso gerado a necessidade de criação de equipas de vigilância e bloquios nas estradas para vigiar o trânsito animal.

E foi neste esforço de detecção e controlo da doença que as equipas sanitárias namibianas chegaram aos casos na região de Zambezi que ameaça directamente o sul de Angola, na sua província do Cuando.

Também nesta região namibiana estão proibidos os movimentos de animais, bovinos e suínos, tanto vivos, incluindo nos mercados, como nos produtos sucedâneos ao seu abate comercial, que também está totalmente proibido.

A única excepção é para os animais de abate para exportação que cumpram os requisitos específicos de quarentena e testagem devidamente identificados pelas autoridades.

Para conter este surto, que pode gerar prejuízos avultados aos produtores, tanto namibianos como nos países vizinhos, se não forem tomadas medidas, as autoridades namibianas deram já início a uma intensa campanha de vacinação.

Perfil da doença

A febre aftosa, altamente contagiosa, é provocada por um vírus, do gênero Aphthovirus, família Picornaviridae, e afecta todos os animais com casco fendido (bipartido), como bovinos, suínos, ovinos e caprinos, não sendo especialmente sério o problema de contaminação entre humanos, onde é raro e não-letal.

Os sintomas mais comuns são, segundo a Wikipedia, febre alta, vesículas (bolhas) e úlceras na mucosa oral (boca, língua), no focinho e nos cascos, provocando salivação intensa (babeira), dificuldade para mastigar e manqueira (claudicação).

Quanto à mortalidade em animais adultos costuma ser baixa, mas atinge filhotes (como leitões e bezerros) com mais gravidade e causa grandes prejuízos econômicos à pecuária e ao comércio internacional.

A sua transmissão acontece por contato directo com animais doentes, secreções, ou de forma indireta através de roupas, veículos, equipamentos e até pelo vento a curta/média distância.

Sendo extremamente raro em seres humanos (podendo ocorrer de forma benigna e ocupacional pelo contato com animais ou leite não pasteurizado), não é considerado um problema de saúde pública relevante.