Para as associações, "o problema da rota Luanda-Cabinda-Luanda existe e ninguém pretende negá-lo" e "há dificuldades no acesso aos bilhetes, denúncias de especulação", criando uma "pressão permanente sobre uma ligação essencial para a população de Cabinda".
Numa nota enviada ao Novo Jornal, explicam que o que "não pode ser aceite é que um problema complexo seja reduzido a uma explicação conveniente: afastar as agências angolanas e deixar perante a opinião pública a ideia de que eram elas as responsáveis".
Nesse sentido, as três associações convergem numa posição inequívoca: "defender a integridade social e profissional do sector" e "exigir que qualquer irregularidade seja atribuída a quem efectivamente a praticou".
"Se existem prevaricadores, devem ser identificados, investigados e sancionados. Responsabilizar indistintamente todo um sector, sem demonstrar individualmente quem praticou o quê, não resolve a origem do problema: transfere a culpa", lê-se no documento.
Esta posição, frisam, não surgiu depois da decisão.As associações referem que foram ouvidas pela TAAG no dia 07 de Setembro e que, no dia 10, dirigiram uma carta conjunta ao Executivo, às tutelas dos Transportes e do Turismo e à administração da companhia, tendo alertado para as consequências da medida e apresentado alternativas como identificar e bloquear individualmente os infractores, combater o açambarcamento em todos os canais e criar uma comissão técnica conjunta.
Ainda assim, optou-se pelo "afastamento generalizado".
Um dos pontos centrais do comunicado é o anúncio feito pouco depois pela transportadora aérea nacional, da existência de cerca de 9.800 lugares disponíveis até ao final do ano.
Para as agências, se o afastamento coincidiu com o aparecimento de milhares de lugares, "é legítimo exigir uma explicação técnica clara sobre como essa disponibilidade surgiu e qual era, efectivamente, a responsabilidade das empresas afastadas".
Razão pela qual lembram que "as agências não criam lugares, não definem tarifas e não controlam o inventário da TAAG", trabalhando dentro das regras dos sistemas de reservas, com prazos para emissão que expiram e com bilhetes associados à identificação do passageiro, que não podem "simplesmente ser convertidos livremente para outros nomes".
Antes de concluir que o problema estava nas agências, defendem, importa apurar que mecanismos permitiriam o alegado açambarcamento, quem os utilizou e em que dimensão.
Há, segundo as associações, uma outra questão que exige resposta.
Com base em elementos recolhidos, lugares nos mesmos voos continuam a poder ser encontrados através de canais e agências fora de Angola, com valores que "podem rondar os 282 euros em classe económica e os 540 euros em executiva".
Neste contexto, questionam: "Se a intermediação era parte central do problema, por que razão se afasta o intermediário angolano enquanto a comercialização através de intermediários no exterior permanece possível?".
Para as três organizações, a consequência económica e social "não é menor", já que o passageiro pode acabar por procurar fora do país aquilo que deixou de poder adquirir através de uma empresa nacional, pagando em moeda externa e deslocando para o exterior parte da actividade económica.
Perdem, por isso, "as empresas nacionais, os trabalhadores e as famílias que delas dependem e perde a própria economia angolana".
Combater práticas irregulares, alertam também, não pode significar enfraquecer indiscriminadamente quem cumpre as regras.
Além disso, realçam que não basta afirmar que a tarifa subsidiada de 29.717 kwanzas existe. É preciso, reforçam, que esteja efectivamente disponível quando o cidadão dela necessita.
"Se existem lugares a preços muito superiores, mas a tarifa social permanece difícil de encontrar, a questão não se resume ao canal que vende o bilhete, havendo outros factores na gestão da oferta por apurar", pontuam.
Acrescentam que esta questão ultrapassa uma divergência comercial. "Em Cabinda, a ligação aérea tem um peso social particular, por onde viajam estudantes, doentes, famílias e trabalhadores", lê-se.
Uma decisão desta dimensão, sinalizam, deve ser avaliada não apenas pelos objectivos que anuncia, mas também pelas consequências na vida das pessoas, no emprego e na actividade económica.
O que as associações exigem, então, é apuramento objectivo da gestão do inventário, da disponibilidade das classes tarifárias, dos prazos das reservas, dos canais de distribuição, das vendas no exterior e de eventuais práticas individuais.
Para finalizar, as três entidades declaram que Cabinda não precisa de uma transferência de culpa e que Angola não ganha quando empresas nacionais são colocadas sob suspeita sem que todas as causas tenham sido esclarecidas e garantem que estarão juntas nesta defesa, "não para proteger quem prevarica, mas para proteger quem trabalha e cumpre", sublinhando que a verdade e a transparência invocadas "têm de valer para todos".








