Já se sabia que o Super El Niño está para chegar entre Setembro e Outubro, como o Novo Jornal tem vindo a noticiar (ver links em baixo), mas agora a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a agência da ONU para o clima, acrescenta novas notas de risco.
Este fenómeno climático, muito assente nas alterações climáticas, que nasce do aumento das águas superficiais do Oceano Pacífico, gerando mudanças nos ventos que vão provocar secas intensas e chuvas torrenciais, tem um longo registo de aparições catastróficas.
Todavia, o seu poder destruidor tem vindo a aumentar no rasto das alterações climáticas para as quais as Nações Unidas têm vindo a chamar a atenção com insistência, como o Sul de Angola (ver links em baixo) tem sentido com intensidade na última década.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, há muito que usa o mediatismo do cargo para alertar para os eventos catastróficos que estão a formar-se nos alicerces das alterações climáticas geradas pelos gases com efeitos de estufa emitidos pela Humanidade.
E agora voltou à carga, sublinhando que os eventos climáticos extremos estão a tornar-se "a nova normalidade", como a OMM acaba de alertar nesta quinta-feira, 03, confirmando que se trata de um Super El Niño na sua intensidade, mas acrescentando que será igualmente um dos mais longos, projectando os seus efeitos até Feverero de 2027.
Como referência para o que pode ser uma situação catastrófica para a Humanidade, aos efeitos perversos do Super El Niño na agricultura, seja pela seca extrema ou pelas enchentes abruptas, há que somar a questão da crise global gerada pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.
Destes dois focos de conflito resultam já restrições no acesso aos fertilizantes que antes deles nutriam a agricultura mundial exportados pela Ucrânia e pela Rússia, agora reduzidos a quantidades mínimas.
E os compostos químicos para os adubos produzidos em grande escala no Golfo Pérsico que o fecho do Estreito de Ormuz impede de chegar onde mais falta fazem, que é a agricultura das regiões mas desfavorecidas do mundo.
Além disso, o aumento gigantesco do preço do gasóleo, pelas mesmas razões, está já, como as agências da ONU confirmam, a criar sérios problemas aos agricultores de todo o mundo, sendo que em zonas como África, Ásia e América Latina, assumem especial gravidade pelos efeitos a jusante...
O alerta da OMM é mais sério que nunca
O fenómeno El Niño está "firmemente estabelecido" e deverá intensificar-se ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade "muito forte" com uma probabilidade "próxima dos 100%" de durar até Fevereiro de 2027, alertou esta quinta-feira, 03 de Setembro, a Organização Meteorológica Mundial.
"O El Niño estabeleceu-se firmemente e irá intensificar-se, tornando-se um fenómeno muito forte nos próximos meses, com repercussões significativas nos padrões de temperatura e precipitação, bem como nos riscos associados de inundações, secas e calor extremo", alerta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Espera-se que o fenómeno "se intensifique ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade muito forte antes de atingir o pico no final de 2026", alerta ainda a OMM.
Além disso, a organização sublinha que as últimas previsões sazonais dos centros de produção globais da OMM indicam uma "probabilidade excecionalmente elevada", de quase 100%, de que o El Niño persista até Fevereiro de 2027.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a intensificação nos próximos meses do fenómeno El Niño, realçando que o mundo vive uma situação de "alto risco" com eventos climáticos extremos.
"A ciência é inequívoca: o planeta está a entrar em águas desconhecidas, e essas águas estão a aquecer. As temperaturas da superfície do mar estão a atingir níveis recorde, os termómetros continuam a subir e encontramo-nos numa zona de alto risco onde os eventos climáticos extremos estão a tornar-se a nova normalidade", disse Guterres em comunicado.
António Guterres sublinhou que "este evento excecional do El Niño exige uma preparação e uma resposta excecionais".
"Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar", disse.
O El Niño é um fenómeno natural que se repete a cada dois a sete anos. As águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental começam a aquecer na primavera, levando a grandes alterações nos padrões de vento, pressão e precipitação em todo o mundo nos meses seguintes.
As temperaturas da superfície do mar nesta zona do Pacífico equatorial já estão significativamente acima da média e continuam a subir.
As temperaturas estiveram, em média, 1,5 graus acima do normal entre Maio e Julho de 2026, passandio para dois graus acima do normal em Julho, segundo a OMM, que refere ainda leituras de 2,2 graus a 2,6 graus acima da média entre o final de Julho e meados de Agosto, "o que demonstra o contínuo fortalecimento do fenómeno".
Abaixo da superfície do oceano, as temperaturas oceânicas estiveram ainda mais de 08 graus acima da média em algumas áreas durante Julho e início de Agosto.
Embora cada El Niño seja diferente, o fenómeno causou ou intensificou historicamente secas e riscos de incêndio em partes da Amazónia, América Central, Indonésia e Austrália, interrompeu a monção na Índia e trouxe chuvas torrenciais para a África Oriental.
Este fenómeno soma-se às alterações climáticas causadas pelas atividades humanas, exacerbando os eventos climáticos extremos.
Para o período de setembro a novembro deste ano, as previsões da OMM indicam um aumento da probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as massas terrestres, bem como padrões de precipitação consistentes com uma resposta atmosférica forte e clássica a um El Niño intenso no Pacífico.
No ano seguinte ao El Niño, o calor armazenado no oceano é libertado para a atmosfera, contribuindo geralmente para o aumento das temperaturas globais, levando muitos cientistas do clima a prever que 2027 será o ano mais quente de que há registo.
O ano mais quente até à data é 2024, depois do último El Niño.


















