Como é que tem vivido estes últimos dias? Há algumas restrições em termos de mobilidade em Kiev?

Tenho vivido um dia de cada vez. Depois de mais de quatro anos de guerra, muita coisa passou a fazer parte da rotina. Os alertas de ataques continuam, algumas noites são interrompidas por explosões ou sirenes, as notícias, as perdas de vidas e a as infraestruturas do país têm abalado o nosso estado psicológico... mas a vida precisa de continuar. Em Kiev ainda existem algumas restrições, sobretudo durante alertas aéreos, mas a cidade procura manter o seu funcionamento dentro das circunstâncias em que vivemos.

Mas tem ido trabalhar com regularidade? Qual é a distância da sua casa para o local de trabalho?

Sim. Sempre que as condições de segurança permitem, continuo a trabalhar. Claro que já não é como antes da guerra. Hoje trabalhamos quando há possibilidade, pois, independentemente das circunstâncias, precisamos de encontrar formas de sustentar as nossas famílias. Sem trabalho, tudo se torna muito mais difícil.

Confesso que as oportunidades já não são as mesmas. A guerra afectou profundamente a economia do país e, consequentemente, também a nossa situação financeira e profissional. Muitos sectores reduziram as suas actividades, e isso reflecte-se directamente no mercado de trabalho.

O meu local de trabalho fica a cerca de 40 quilómetros da minha casa, no centro de Kiev. Por isso, cada deslocação exige algum planeamento e também traz um certo receio... nunca sabemos quando poderá soar um alerta aéreo ou acontecer algum ataque! Mesmo assim, procuramos continuar a viver, trabalhar e manter alguma normalidade, porque a vida não pode simplesmente parar por causa da guerra.

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