Os bolseiros suplicam para que lhes seja dada autorização para viajarem para o Brasil com um fim único: "estudarem".
Dos 142 vistos recusados pelo Consulado brasileiro, 100 são de estudantes aprovados pelo Processo Selectivo de Estudantes Internacionais (PSEI) da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).
Os estudantes refutam o argumento apresentado pelo consulado de que terão recebido orientações pelo portal sobre as falhas na documentação apresentada para lhes permitir a oportunidade de sanar essas falhas.
Ao Novo Jornal, os visados contam que tinha até segunda-feira, dia 16, para confirmarem de forma presencial as respectivas matrículas.
Antes dessa data, segundo os visados, escreveram ao cônsul do Brasil em Angola, a fim de verem resolvia essa situação.
Os estudantes dizem que o pedido de visto foi recusado sem qualquer explicação e acusam os serviços consulares de agendar a entrevista do visto em data posterior à caducidade das cartas de chamada enviadas pela universidade.
"Nós, candidatos angolanos aprovados pelo PSEI, estivemos esperançosos, na ânsia de retorno positivo, que infelizmente não recebemos", lamentaram dezenas deles ao Novo Jornal.
Segundo os visados, inicialmente o cronograma da UNILAB previa a chegada dos estudantes entre 24 de Janeiro e 8 de Fevereiro de 2026.
Como informaram sobre as dificuldades, em resposta, a UNILAB reconheceu as limitações operacionais e prorrogou o prazo de chegada dos angolanos para 15 de Fevereiro de 2026.
Não cumprido este prazo, e longe de conseguirem o visto, os angolanos perdem assim a oportunidade da bolsa conquistada.
Os estudantes lamentam também o facto de o consulado recusar os vistos "sem fundamentação clara" e de não lhes ter dado a possibilidade de reapreciação da documentação.
Sobre o assunto, o Novo Jornal contactou o Consulado do Brasil em Angola, que esclareceu que desde o início de Janeiro, foram analisados pela instituição 769 pedidos de vistos de estudante angolanos e desse número foram concedidos 627.
Ao Novo Jornal o Consulado do Brasil afirma ter rejeitado os pedidos de visto de estudo a 142 cidadãos angolanos.
Segundo o consulado, a aceitação por uma universidade brasileira não quer dizer que os estudantes não tenham de cumprir os requisitos para a concessão do visto.
"Todos os pedidos de vistos de estudante são examinados atentamente. Antes de chegar à fase de envio do passaporte ao Consulado-geral, muitos desses pedidos recebem orientações pelo portal electrónico do sistema consular brasileiro sobre as falhas na documentação apresentada, para oferecer a oportunidade aos estudantes de sanar essas falhas", diz o consulado em resposta.

