A informação foi avançada na terça-feira, 15, pela coordenadora do Programa Nacional de Vigilância Epidemiológica, Regina António, que disse também que o País regista duas mortes associadas à doença e dezenas de pacientes em estado crítico, sob observação nas várias unidades hospitalares.

O novo balanço confirma uma aceleração acentuada do surto. Dados do Ministério da Saúde reportados a 11 de Agosto apontavam para 289 casos confirmados, número que subiu para 442 até 05 de Setembro.

Em 10 dias, foram notificados mais 136 casos, além de que o agravamento tinha sido sinalizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No seu último relatório multinacional, citado pela Lusa, a OMS indicou que Angola registou 184 casos entre 06 de Julho e 16 de Agosto, o segundo número mais elevado de África naquele período, apenas atrás de Madagáscar (785) e à frente do Quénia (94), RDC (41) e Camarões (28).

"Embora tenham sido detectados casos confirmados esporádicos no final de 2024 e ao longo de 2025, registou-se um aumento acentuado do número de casos notificados desde meados de Maio de 2026", pode ler-se.

Para a organização, o facto de Cabinda e Moxico Leste concentrarem todos os casos desde Abril de 2026 é preocupante. Separada do resto do território por uma faixa da RDC, Cabinda "representa um risco significativo de propagação transfronteiriça", refere a mesma fonte.

Actualmente, 11 das 21 províncias já notificaram casos. Os jovens entre os 20 e os 29 anos são o grupo mais afectado, com 53% das infecções, e 56% dos casos foram registados entre mulheres e raparigas.

Angola mantém ainda 50 mil doses de vacina mobilizadas, de administração prioritária, e 1.131 contactos testados desde o início do surto, com 186 ainda em acompanhamento.