Os dados foram apresentados, nesta segunda-feira à noite, num hotel de Luanda, na abertura da IX ª edição do Business Networking Angola/Portugal, numa iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Portugal e Angola (CCIPA), por ocasião da Feira Internacional de Luanda, que decorre desde hoje, na capital angolana.
Segundo o documento, nos primeiros cinco meses de 2026, observou-se, entre Portugal e Angola uma intensificação das trocas comerciais com Angola, tendo as exportações de bens para o país africano crescido, em termos acumulados, cerca de 7% em relação ao período homólogo de 2025, uma dinâmica que contrasta com o decréscimo verificado para o total das trocas comerciais portuguesas no mesmo período (-0,2%).
"Este aumento das exportações portuguesas de bens para o mercado angolano é um sinal dos fortes laços entre os dois países, num contexto internacional particularmente desfavorável que tem desafiado as relações comerciais portuguesas e reafirmando a pertinência da sua diversificação de mercados", indica.
No que toca à balança comercial de bens faz constar que Portugal tem vindo a registar saldos positivos com Angola, tendo em 2025 um saldo positivo da balança comercial, de 857 milhões de euros.
"Na vertente do investimento directo estrangeiro, Angola está também no Top 10, sendo, o 10º país, que mais investe em Portugal (tendo em conta o valor do stock de IDE em Março de 2026).
"Alguns acordos já firmados com a União Europeia, como é o caso do Acordo de Facilitação do Investimento Sustentável UE-Angola, facilitarão seguramente a atração e a expansão de investimentos", acrescenta.
Para a AEP Angola tem previsões de crescimento muito acima de Portugal, do mundo e das economias mais avançadas, pelo que se trata de um parceiro a privilegiar.
Nesse sentido refere que a AEP sente a obrigação de contribuir para estimular o esforço de intensificação do processo de internacionalização da economia portuguesa.
"No quadro da estratégia de apoio à internacionalização das empresas portuguesas, nomeadamente no âmbito do nosso Projecto Business on the Way, tem feito parte um conjunto alargado de acções com o mercado angolano, desde 1990 (missões empresariais, feiras, seminários e fóruns) que já envolveu largas centenas de empresas", frisa.
Por seu lado, o secretário de Estado da Economia de Portugal, Rui Ferreira afirmou que Portugal pode a partir de Angola criar valor para a sua economia, alargando os negócios nessa região africana.
"Cabe aos governos encontrar os modelos ideais para desenvolver negócios, encontrando aquilo que são as dificuldades as regras do bem comum", referiu acrescentando que às "instituições como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) a CCIPA e as suas congéneres locais encontrarem e formularem e incentivarem estes encontros, mas quem faz seguramente avançar as economias são as empresas e os seus trabalhadores".
"Nós sem isso podemos ter os melhores contextos, mas os negócios não acontecem", frisou.
Já o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel Carvalho dos Santos, declarou que Portugal continua a ser um parceiro muito importante para Angola, uma vez que empresas portuguesas estão presentes em diversos sectores da economia angolana, contribuindo para a criação de empregos, formação de quadros, serviços e na transferência de conhecimento.
"Ao mesmo tempo, assistimos à presença e crescimento das empresas angolanas em Portugal revelando uma actuação cada vez mais recíproca e diversificada", observou.

