O Papa Leão XIV está na manhã desta sexta-feira, 17, em Douala, a capital económica dos Camarões, para uma missa com meio milhão de pessoas que antes já o ouviram criticar a "mão cheia de tiranos que devastam o Planeta" com guerras e corrupção.
A missa em campo aberto com pelo menos 500 mil pessoas, muito semelhante à que vai conduzir no Kilamba, Luanda, no próximo Domingo, 19, o segundo dia dos três que vai estar em Angola, é o grande momento litúrgico desta passagem do Pontífice pelos Camarões...
... mas a mensagem mais "explosiva" do chefe da Igreja Católica foi deixada horas antes, quando, na zona mais escaldante do conflito separatista camaronês, entre o norte anglófono e o sul francófono, foi ter dito que há um punhado de tiranos que estão a destruir o mundo com as suas guerras devastadoras, exploração e corrupção.
Ao deslocar-se a Bamenda, uma cidade do nordeste dos Camarões, um dos epicentros da conflitualidade armada no país, que já dura há uma década, o Papa juntou elementos da comunidade muçulmana, evangélica e animista para reforçar o grupo ecuménico que procura mediar um acordo de paz.
Uma "bicada" em Trump
Naquilo que foi, claramente, mesmo sem pronunciar o seu nome, uma bicada no Presidente dos EUA, Donald Trump, que tem insistido nas acusações a Leão XIV de ser um "amigo de terroristas" por defender a paz no Irão (ver links em baixo), ao mesmo tempo que publica imagens suas ao lado de Cristo ou na pele do Messias, o Papa criticou severamente aqueles que "usam a religião em contextos de conflitos".
"benditos sejam os fazedores de paz!", apontou o representante de mais de 1.4 mil milhões de católicos no mundo, acrescentando em tom ameaçador: "Ai daqueles que manipulam a religião para os seus propósitos militares e ganhos económicos e políticos, arrastando o nome de Deus para a escuridão e a imundície...!".
E foi então que usou a frase que está hoje espalhada por toda a imprensa mundial, visto que este discurso tem, definitivamente, como destino não apenas Donald Trump, mas também o seu secretário da Guerra, Pete Hegseth, que, na quinta-feira, foi gozado em muitos media depois de ter recorrido a uma falsa passagem bíblica inventada pelo realizador Quentin Tarantino, no filme Pulp Fiction, de 1994.
"O mundo está a ser devastado por um punhado de tiranos, com as suas guerras e devastação, quando tantos irmãos e irmãs procuram manter a sua unidade e a paz", numa alusão clara ao que se passa além fronteiras, como as guerras no Irão e no Líbano, como, de resto, fontes do Vaticano avançaram antes que este périplo africano tinha como propósito espalhar a palavra de paz no mundo contida nos Evangelhos.
E numa mensagem dirigida aos camaroneses e aos seus governantes, o Papa disse que "aqueles que roubam as terras e os seus recursos e investem em armas com que continuam os ciclos infindáveis de guerras e devastação e morte", tem de ser "denunciados e rejeitados como exploradores da obra de Deus por todas as consciências honestas".
A agenda angolana
Depois das Camarões, o Papa Leão XIV voa para Angola, onde chega este Sábado, pelas 15:00, seguindo-se uma visita ao Presidente da República, mantendo um encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático logo a seguir.
Pelas 19:00 o Sumo Pontífice recolhe ás instalações da Santa Sé em Luanda, para um encontro com os bispos angolanos e onde pernoitará.
O dia seguinte, Domingo, 19, começa com a Santa Missa no Kilamba, onde são esperados largas dezenas de milhares de pessoas, antes de partir para a Muxima... onde está concentrada o resto da sua agenda para este dia.
Na segunda-feira, 20, o Papa desloca-se a Saurimo, na Lunda Sul, com uma intensa agenda, terminando o dia, já em Luanda, perto das 17:30, com um novo encontro com os bispos e padres e agentes pastorais, deixando o país no dia seguinte, logo pela manhã.













