Há muito que os analistas esperavam que este passo fosse dado pelo Paquistão, não apenas devido às constantes incursões dos afegãos sobre territórios paquistaneses, ao longo da linha de fronteira de 2.600 kms, mas porque Islamabad acusa a Índia, o seu arqui-inimigo, de estar "a colonizar o Afeganistão".
E o Paquistão, como o provam as sucessivas guerras com a Índia, a última das quais em Maio de 2025, que durou apenas alguns dias mais fez largas centenas de mortos, teme que a Índia use o Afeganistão para poder abrir duas ofensivas em simultâneo no futuro.
Nas últimas horas este conflito latente atingiu proporções de guerra aberta, como a definiu o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, que, já depois de enviar os seus caças sobre Cabul, acusou o regime taliban de ter provocado esta escalada.
Quase em simultâneo, como refere a Al Jazeera, o porta-voz do Governo Taliban, Zabihullah Mujahid, confirmou que se trata já de uma guerra aberta, com as suas forças a lançar uma larga ofensiva sobre a "Linha Durand", como é conhecida a fronteira dos dois países, forjada artificialmente pelo Império Britânico, antiga potência colonial.
Todavia, alguns analistas, como Abdul Basit, da Escola de Estudos Internacionais de Singapura, também citado pela televisão do Catar, crêem que esta guerra terá uma duração limitada porque se trata de um confronto entre dois beligerantes com exércitos de desproporcionais dimensões.
Enquanto o Paquistão possui uma Forças Armadas organizadas, profissionais, com aviação de guerra sofisticada e meios terrestres avançados, aos talibans, além do que ficou dos EUA quando Washington saiu, em 2021, possuem "apenas" um conjunto substancial de drones kamikazes e um ilimitado contingente de bombistas suicidas.
Com esta assimetria de potencial combativo, provavelmente, antes de acabar, este conflito deverá gerar episódios de extrema violência, e que as potências regionais, já preocupadas com o iminente ataque dos EUA ao Irão, que faz fronteira com ambos, procuram desescalar através de intensos contactos diplomáticos, como os sauditas e os turcos.

