"Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, se determinem as responsabilidades e aqueles que tenham infringido a lei respondam perante a Justiça", prometeu o chefe de Estado na sua conta na rede social X.
Santiago Peña, um aliado de Donald Trump e um dos expoentes sul-americanos da extrema-direita, permanece formalmente na Presidência do Paraguai, já que os legisladores deixaram sem quórum uma sessão conjunta convocada para esta quinta-feira para votar a sua demissão e assim se poder ativar o mecanismo de sucessão após declarar a vacância do cargo.
A intervenção na entidade bancária Ueno, à qual Peña tem estado ligado, despoletou uma crise política e financeira no país, porque os fundos de quase metade da população paraguaia e até de entidades do Estado, ficaram congelados.
Peña, que não tem aparecido em público desde que o Banco Central do Paraguai (BCP) ordenou o processo de resolução contra o Ueno, disse que disponibilizará toda a informação que lhe for solicitada, e indicou que o pagamento aos aforradores "não pode ficar dependente do que acontecer" consigo.
"A discussão sobre a minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções que as famílias afetadas precisam", acrescentou.
O Banco Central detetou que o índice de solvência do banco Ueno, com 2,9 milhões de clientes num país de 6,1 milhões de habitantes, tinha caído abaixo de 50% do mínimo exigido, "como consequência de ajustes realizados às suas demonstrações financeiras durante o processo de regularização"
Depois de ter sido suspensa a sessão em que se discutiria a renúncia de Peña, o presidente do Senado, o oficialista Basilio Núñez, disse aos jornalistas que convocarão ainda na quinta-feira (já sexta-feira em Portugal) uma nova sessão plenária para continuar com o julgamento do governante.
O também senador Derlis Maidana explicou que o julgamento terá duas fases: uma, o reconhecimento, na noite de hoje, dos deputados como procuradores acusadores, e a segunda pela manhã, quando será tomado juramento pelos senadores que constituirão o tribunal julgador.
Horas antes das declarações do Presidente, a Câmara de Deputados tinha aprovado por unanimidade a acusação para submeter Peña a julgamento político, que se tornará o segundo governante submetido a esse processo na história recente do Paraguai, depois de Fernando Lugo (2008-2012) de esquerda, que acabou por ser afastado do poder.
