Este diploma indica, com toda a solenidade, que a taxa deve considerar o "desenvolvimento socioeconómico, volume de produção de resíduos, empregabilidade, número de habitantes, condição financeira dos munícipes".
No entanto, logo de seguida, resolve a equação com uma subtileza matemática digna de aplauso: 10% do consumo de energia. Ponto final. Porque, claro, quem consome mais luz produz mais lixo. E quem não tem luz não produz nenhum lixo, pelos vistos. É a ciência moderna.
Este novo dízimo é de aplicação nacional. A taxa de limpeza engordou para incluir o saneamento e saiu de Luanda. Abrange agora todo o território nacional. A diferença é que, na igreja, as pessoas escolhem dar e esperam que a fé resolva alguns assuntos; aqui, é débito directo na factura da ENDE e faz-se fé que o serviço venha sem necessidade de orações. E atenção à repartição: 75% para a administração municipal, que deverá disponibilizar ou contratar os serviços, 10% para o Tesouro, 10% para o Ministério do Ambiente, 5% para a ENDE, para nos cobrar de forma eficiente. A mesma empresa a quem são devidos muitos mil milhões de kwanzas.
O cardápio de serviços que o munícipe estará a financiar é amplo: limpeza pública, recolha, transporte, tratamento e deposição de resíduos urbanos ou domiciliares. São cinco promessas num só pacote. Mas quantos angolanos podem jurar que recebem os cinco? Em muitos bairros, o lixo é recolhido quando calha; o transporte é feito em carros abertos que espalham metade do caminho; o tratamento adequado é uma miragem e a deposição é ineficiente. Cobra-se por um ciclo completo; entrega-se meia-volta.
É justo que se cobre por um serviço prestado aos munícipes, por uma melhor limpeza e um melhor saneamento. Mas e quem paga e não vê o lixo recolhido? Pode reclamar?

