O monumento integra-se num espaço que se afirma como um verdadeiro corredor da memória nacional e é constituído por três elementos principais: A Aliança Eterna, a Mulembeira e o Hall da Memória.

A artista plástica Fineza Teta é a autora do projecto e da concepção artística do memorial, a sua proposta foi seleccionada num concurso público que contou com 17 empresas concorrentes. Reconciliar um País é um desafio intergeracional. Abraçar, perdoar e reconciliar requer a participação e esforço de todos.

Perdoar nem sempre é fácil, pedir perdão e assumir as responsabilidades pelos erros cometidos é uma postura digna e nobre. Passo a citar um dos pronunciamentos que entendo ser dos mais marcantes da governação de João Lourenço, quando em Maio de 2021 pediu desculpas públicas e perdão pelas atrocidades cometidas a 27 de Maio de 1977: "Não é hora de nos apontarmos o dedo, procurando os culpados, importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe. É assim que, imbuídos deste espírito, viemos junto das vítimas dos conflitos e dos angolanos, em geral, pedir humildemente, em nome do Estado, as nossas desculpas públicas e perdão, pelo grande mal que foram as execuções sumárias naquela altura e naquelas circunstâncias".

O perdão é libertador em todos os sentidos: liberta aquele que o pede e aquele que o concede . Perdoar para libertar, perdoar para avançar. Um gesto, uma atitude, um discurso, uma inauguração são capazes de derrubar várias décadas de indiferença, de dor, de humilhações, de tabus e silêncios perturbadores. Não há preço para a reconciliação, paz e harmonia entre os povos. Perdoar é aceitar o outro, é reconhecer que não somos perfeitos e que também falhamos . É importante olhar para a nobreza e elevação de quem pede perdão pela dor alheia. Acima de tudo é a história que não se apaga e a memória das vitimas é respeitada. O direito a memorial não é uma questão individual, e sim uma necessidade colectiva... as gerações vindouras do nosso povo deverão por meio deste espaço evitar repetir os erros cometidos de 1975 a 2002!

As artes visuais desempenham um papel crucial na preservação da memória. Por meio da pintura, da escultura e da fotografia é possível captar momentos e emoções, criando conexões com o passado. Mas estes espaços de preservação da memória são importantes não apenas para honrar o passado, mas também para orientar-nos rumo ao futuro. Quando uma sociedade sabe reconhecer as suas falhas e injustiças históricas, quando os cidadãos aprendem a perdoar, quando um país valoriza a memória, ele constrói alicerces sólidos para o futuro.

O país consegue promover a harmonia, a empatia e a coesão social. O País aprende a evitar a repetição de erros. É aqui também que urge a importância do património histórico como instrumento de preservação da memória.

Este memorial é um espaço de memória que serve como uma ponte entre o passado e o presente e que desempenha um papel crucial na construção da identidade colectiva. Funciona como um espelho que reflecte não apenas o passado mas que lança luzes sobre quem somos hoje, o que queremos ser amanhã e o que valorizamos como sociedade. Devemos olhar para este espaço não apenas como um monumento do passado mas como um marco da nossa herança e da nossa identidade. Um espaço para a pedagogia dos afectos, do respeito pelo Outro e reconhecimento das nossas fraquezas.

Estão de parabéns os angolanos pela aposta na paz, harmonia e reconciliação. O Presidente João Lourenço pelo empenho, coragem e iniciativa, a Fineza Teta pelo criatividade, engenho e arte. Que este memorial seja um espaço que nos ensine sempre a termos a humildade, a elegância e a " fineza" de abraçar, perdoar e reconciliar.