Albino Pakisi é amigo de longa data de André Ventura, líder do Chega, um partido da extrema direita portuguesa e visto por muitos como "racista e xenófobo" pelas propostas radicais que apresenta para lidar com a imigração ou algumas minorias étnicas, como os ciganos.

Numa conversa com o Novo Jornal, o analista político e professor universitário não apenas elogia André Ventura, que no Domingo vai a votos com o socialista António José Seguro, a quem as sondagens dão grande vantagem, como garante que este "não é racista".

Para Pakisi, o seu amigo Ventura é apenas um nacionalista que, como tantos outros, incluindo o angolano Jonas Savimbi, ex-líder e fundador da UNITA, o maior partido da oposição em Angola, que colocava os angolanos em primeiro, também aquele político português coloca os portugueses "em primeiro lugar".

Este filósofo, professor universitário e analista político, conhecido pelas suas posições críticas face à governação do MPLA em Angola e à corrupção generalizada em particular, mostra o que pensa em várias plataformas, sendo que actualmente é um dos comentadores regulares dos programas de debate na Rádio Essencial, de Luanda.

Apesar de André Ventura ser conhecido pela forma dura e, como já ficou claro em Portugal, de forma ilegal, com o tribunal a obriga-lo a retirar cartazes onde se referia aos imigrantes e à etnia cigana de modo rude, com que se dirige aos seus "alvos", Albino Pakisi não aceita que este seja considerado racista, apontando-o apenas como "um nacionalista convicto".

Albino Pakisi, viveu com André Ventura, em Portugal, durante oito anos, e mantém uma relação de amizade há anos com o líder do Chega, sobre quem, defende nesta conversa com o Novo Jornal, a generalidade dos africanos, e em particular entre os angolanos, "têm uma ideia errada".

Para Albino Pakissi, a grande questão que faz muitas pessoas confundirem André Ventura com um vulgar racista é a maneira como ele fala e mostra o seu nacionalismo, que "é um nacionalismo puro", comparado com aquilo que o presidente fundador do maior partido na oposição em Angola, a UNITA, dizia nos seus discursos, sobre os angolanos.

"Jonas Savimbi dizia em bom tom, que para ele "1º os angolanos, 2º os angolanos e 3º os angolanos, depois é que vêm os outros, ou que voltassem para as suas terras...", lembra Pakisi, para comparar com os posicionamentos do seu amigo André Ventura.

"O André Ventura defende o mesmo que Savimbi", assegura Albino Pakissi, nesta conversa com o Novo Jornal, esta semana, quando questionando sobre a convivência que manteve com o político português e líder do Chega, a segunda maior força política no Parlamento de Portugal.

Albino Pakissi lembra ainda que um dos melhores amigos de André Ventura é um africano da República Democrática do Congo (RDC), de nome Luc Mombito, com o intuito de sublinhar que este não é racista.

E acrescenta que "nem todos os angolanos têm uma ideia errada" daquele político português que recentemente ganhou notoriedade em Angola com as críticas severas que fez a um recente discurso do Presidente da República, João Lourenço, aquando das comemorações do 50º aniversário da independência nacional.

E depois, já nestes últimos dias, quando o general Higino Carneiro, que já afirmou ser candidato a líder do MPLA no Congresso deste ano, deu como exemplo de sã convivência política o debate entre Ventura e Seguro em Portugal no âmbito da campanha eleitoral.

"Como pessoa que conhece André Ventura há mais de 20 anos, devo dizer que André Ventura é o mesmo de ontem, se sempre. Ele é muito sincero e conhece Angola e os países africanos muito bem", apontou ainda Pakisi.

E prosseguiu: "O que André Ventura tem dito é que os governantes africanos devem mudar de postura e beneficiar os seus povos! E eu concordo com ele".