"Pelo elevado número de vítimas e o consequente impacto que a cerimónia que se vai realizar terá na nossa sociedade, decidi decretar Luto Nacional de um dia em todo o território nacional para sexta feira 22 de Maio, em memória de todas as vítimas dos conflitos", disse na quarta-feira, 21, João Lourenço, numa mensagem dirigida à Nação.
O Chefe de Estado considera que "a paz e a reconciliação entre os angolanos, o perdão e o abraço de irmãos, só são genuínos se assentarem na transparência, no assumir por todos do passivo negativo da nossa história".
"Angola viveu momentos dramáticos da sua história que deixaram feridas profundas, mas que temos sabido tratar no quadro da Paz e da Reconciliação Nacional que se vem consolidando ao longo dos últimos 24 anos, facto que constitui para nós motivo de grande orgulho e regozijo", frisou.
Para o efeito, segundo o Presidente da República, entendeu criar a comissão interministerial das vítimas dos conflitos políticos, ocorridos no período de 11 de Novembro de 1975 a 04 de Abril de 2002.
Desde a sua criação, acrescenta, João Lourenço, "em cerimónias solenes públicas, a comissão já entregou aos familiares um certo número de ossadas de restos mortais de cidadãos mortos no quadro desses conflitos, para a realização de funerais dignos".
"Sem necessidade de esconder ou apagar a verdade dolorosa dos factos, tudo deve ser feito para que nunca mais aconteça qualquer tipo de conflito étnico, religioso ou político em solo angolano, que leve ao sofrimento ou ameace a integridade física e a vida dos angolanos", disse, frisando que na sequência do que já vem sendo feito, desta vez serão entregues centenas de restos mortais aos respectivos familiares.
"Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como Nação reconciliada, pronta a se dedicar à grande missão do desenvolvimento económico e social, pela prosperidade e bem-estar dos angolanos e a de fazer de Angola um grande País", acrescentou.
Dirigindo-se às famílias afectadas pelos conflitos, o Presidente da República transmitiu "uma palavra de encorajamento e conforto", num momento que classificou de "grande consternação e profunda reflexão".
"O passado não pode ser apagado, mas deve servir de ponto de reflexão para prevenir os erros e crimes cometidos e fazer dessas lições os alicerces da edificação de uma pátria de justiça, paz e desenvolvimento", sublinhou.
Para João Lourenço, "falar dos horrores dos conflitos ocorridos naquela altura deve deixar de ser um tabu, não porque se pretenda tocar na ferida e torná-la ainda mais dolorosa, muito menos para apontar o dedo a presumíveis actores, mas para ter a noção clara de que a responsabilidade de tudo fazer para eliminar definitivamente qualquer possibilidade de aquela tragédia algum dia poder se repetir e é de todos angolanos".
De acordo com o Chefe do Estado, o propósito comum é o de "restaurar a Nação, curar as feridas e renovar a esperança".
"Este é um convite à humildade, ao arrependimento e ao perdão, para o fortalecimento da nossa identidade como Nação próspera e abençoada", concluiu.
