O incidente ocorreu em circunstâncias consideradas estranhas, até porque as condições climáticas eram favoráveis à navegação, soube o Novo Jornal.
Neste momento, decorrem buscas para localizar os profissionais, entre eles o mestre, após o resgate de 22 marinheiros também a bordo da embarcação de pesca semi-industrial, propriedade da companhia Sede implantada na vila piscatória da Baía Farta.
A Capitania do Porto do Lobito procura apurar as causas do naufrágio, mas há já quem associe à forma como se encontravam acondicionadas pelo menos 40 toneladas de pescado.
Em declarações à imprensa, um dos marinheiros assinalou que "o barco estava em desequilíbrio a virar quando estávamos a descansar e sentimos os telefones a cair".
É certo que a embarcação transportava 20 toneladas a menos em relação à sua capacidade de 60 toneladas, mas tal como converge um especialista em pesca e fonte da Capitania - Delegação Marítima de Benguela, a arrumação da mercadoria exige habilidade.
Outra possibilidade, segundo os levantamentos, é de uma fuga pela qual terá entrado água na embarcação, trazida para o País por um empresário francês ligado à Sede.
O barco tem mais de 40 anos de pesca. "Penso que não será por aí, até porque tem recebido manutenções periódicas, mas o tempo de vida é sempre um dado a ter em conta", frisou uma das fontes.
Após o naufrágio, de acordo com o relato de quem já se encontra em terra, os marinheiros encontraram refúgio em duas chatas (pequenos barcos artesanais), por via das quais foi possível chegar à costa.
"Tudo aconteceu a seis milhas, estávamos a sair do Egipto Praia em direcção à Baía [Farta]. O tempo era bom, sem vento, e a solução foi cada um por si e Deus para todos", contou o ocupante.
O NJ não conseguiu obter reacções da empresa Sede em relação ao ponto de situação, mas a Capitania do Porto explica, com recurso a uma linguagem acessível e para ilustrar a gravidade, que "a embarcação ficou de patas para o ar", a alguns metros de profundidade.
Por seu turno, a área clínica do Hospital Geral de Benguela diz que, entre os marinheiros em observação, há doentes crónicos - hipertensos e diabéticos -, mas sem sinais de gravidade.
