Com tudo a ser preparado ao pormenor, como se nota nos arranjos que estão a ocorrer tanto em Luanda, como nas outras provinciais, onde o chefe da Igreja Católica se vai deslocar, Saurimo, Lunda Sul, e a Muxima, Icolo e Bengo, o Novo Jornal foi ouvir os líderes de outras igrejas com peso na sociedade angolana.

A ideia foi perceber o que esperam estas igrejas da vinda do representante de mais de 1,4 mil milhões de católicos em todo o mundo, e uma das figuras religiosas com mais influência planetária, e o que se percebe é que as sensibilidades vão da expectativa positiva sobre o que esta visita pode significar para o país e a indiferença.

Neste percurso entre igrejas o Novo Jornal deu conta que os dirigentes das igrejas Metodista Unida e Convenção Baptista de Angola afirmam ser um "privilégio" para o País, enquanto, por outro lado, os líderes do Kimbango e da igreja Tocoísta abstêm-se de comentar o momento histórico que o País vai viver de 18 a 21 deste mês.

Com uma agenda pastoral de Estado em Luanda, Muxima (Icolo e Bengo) e em Saurimo, província da Lunda-Sul, as expectativas desta visita não vêm apenas da comunidade Católica, mas também de algumas igrejas evangélicas que manifestaram o interesse de reunir com o Sumo Pontífice, para analisar assuntos espirituais e sociais na senda do ecumenismo que, por exemplo, marcou as anteriores visitas papais de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.

"Não sei como está o programa do Papa, mas penso que devia ter um encontro com os líderes de outras denominações religiosas e da sociedade civil", manifestou o reverendo Adriano Kilende, presidente do Conselho Geral de Programa da Igreja Metodista Unida.

Por seu lado, o ex-vice-presidente da Convenção Baptista de Angola, Rev. João Lohoca, solicita a Leão XIV que traga mensagens que critiquem o abuso sexual de menores no universo da igreja Católica nas outras confissões, considerando "uma atitude condenável", que se tem agravado significantemente nos últimos anos no País.

O actual presidente da Igreja Baptista da Samba apela a que está abordagem seja priorizada, lamentando o facto de todos os anos vários pastores e líderes de seitas religiosas serem apontados como abusadores no relatório do Instituto Nacional da Criança.

Apesar de não fazer parte da comunidade Católica, o presidente do Conselho Geral de Programa da Igreja Metodista Unida, Rev. Adriano Kilende, entende que "é um privilégio o Santo Papa incluir Angola nas suas primeiras visitas", declarando que "será um momento histórico".

Quem também se manifestou feliz com a vinda do Papa foi a secretária-geral e presidente legal da Igreja Evangélica Reformada de Angola (I.E.R.A) Rev. Deolinda Dorca Teca, explicando que "a vinda do Papa é importante para reforçar a fé Católica, bem como reactivar a união e a cooperação com as igrejas protestantes".

A também ex-secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) declarou ainda que espera que o chefe da igreja Católica reactive igualmente projetos sociais que muitas vezes são também benéficos para as comunidades não-católicas.

A reverenda finalizou a rua explanação dizendo que,"a alegria da igreja Católica em receber o Leão XIV em Angola, também é nossa, numa altura em que Angola está a desenhar projectos para o seu desenvolvimento global".

Entre lembranças e nostalgias, o ex-vice-presidente da Convenção Baptista de Angola, ao falar do Leão XIV, reviveu de forma emocionante a experiência que teve em 1992, na véspera da vinda do Papa João Paulo II ao território nacional.

O Rev. João Lohoca contou ao Novo Jornal que "foi um momento admirável ver João Paulo II beijar o solo angolano, num simbolismo de paz e reconciliação nacional", devido ao contexto de guerra que o País estava a viver naquela altura.

Enquanto muitas igrejas demostraram expectativas acima da média, com a vinda do Sumo Pontífice, os movimentos Kimbaguista e Tocoísta acharam melhor ficar omissos, ou seja, "sem comentários" à demanda do Novo Jornal.

Contactados para dar algumas declarações sobre a visita do Papa Leão XIV, a direcção da Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo (Os Tocoístas), recusou-se a falar sobre o acto, dizendo apenas: "Da nossa parte abstemo-nos de comentar".

A mesma resposta veio da direcção da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra pelo seu Enviado Especial Simão Kimbango (Kimbanguista), que preferiu não fazer comentários sobre o assunto.

Esta será a terceira vez que Angola vai receber uma visita apostólica de um Papa, depois de ter recebido o Papa João Paulo II em 1992 e Bento XVI em 2009, mas o ecumenismo não é parte maior, como foi nas outras visitas papais, da agenda de Leão XIV.