Os espanhóis estiveram completamente concentrados, criaram sucessivas ocasiões de perigo, mostraram-se mais frescos e preparados para o embate e impuseram a toada da partida. As estatísticas falam por si: 65% de posse de bola contra 35% da Argentina e 20 remates, 11 deles enquadrados à baliza defendida por Emiliano Martínez. O guarda-redes argentino estabeleceu ainda um recorde de 11 defesas numa final do Campeonato do Mundo, superando as oito de Gianluigi Buffon na decisão de 1994 entre Brasil e Itália.

Por sua vez, a "Albiceleste" registou um recorde histórico pela negativa ao não efectuar qualquer remate durante os 90 minutos regulamentares da final, um feito inédito na competição. O único disparo do conjunto sul-americano aconteceu apenas no prolongamento, quando Giuliano Simeone atirou muito por cima da baliza, já em desespero, consolidando a solidez da "La Roja", que logrou a façanha de só ter consentido um único tento todo o torneio.

Quanto ao feito de Emiliano Martínez foi o reflexo perfeito do domínio exercido pela Espanha. Superior em todos os sectores do terreno, a formação orientada por Luis de la Fuente controlou o jogo com autoridade, graças à exibição imperial de Rodri, verdadeiro patrão do meio-campo, reforçada depois pela entrada de Pedri, sem esquecer o esforço colectivo.

Também ficou evidente que os sul-americanos pagaram a factura da desgastante caminhada até ao encontro com Espanha, depois de eliminarem Cabo Verde, Egipto, Suíça e Inglaterra, num percurso de elevada intensidade física e emocional.

O desgaste viu-se em New Jersey. Lisandro Martínez e Cristian Romero não conseguiram completar o encontro por problemas físicos, obrigando Lionel Scaloni a reorganizar uma linha defensiva que perdeu duas das suas principais referências.

Para agravar o cenário, Enzo Fernández foi expulso nos descontos da segunda parte, obrigando a "Albiceleste" a disputar todo o prolongamento reduzida a dez jogadores, precisamente quando mais precisava de resistir à pressão espanhola. A expulsão retirou à equipa de Scaloni uma das suas armas nos remates de meia distância.

Perante estas circunstâncias, a "La Roja" ficou mais perto da vitória. Já no prolongamento, Mikel Merino ameaçou com um cabeceamento que passou rente ao poste. Seguiu-se um golo anulado por um pisão sobre Nicolás Otamendi, mas os festejos acabariam por sorrir aos ibéricos, que transformaram em golo o domínio exercido ao longo de todo o encontro.

Aos 106 minutos, Nico Williams voltou a explorar o corredor esquerdo, antecipou-se a Nahuel Molina, apontado pelo Novo Jornal na antevisão como uma das principais fragilidades defensivas da Argentina, e assistiu de cabeça Ferran Torres para o golo que decidiu a contenda.

Lionel Scaloni e os seus pupilos foram chumbados por uma turma orientada por um professor que se apresentou diante dos antigos campeões como o sucessor e confirmou em campo a "nova ordem do futebol mundial".

Leandro Paredes foi expulso após o fim do apito.