Famosa foi também a comunicação da administração da TAAG ao anunciar nesta segunda-feira, 31 de Agosto, que o Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA) retirou o pré-aviso da greve marcada para a terça-feira, 01 de Setembro. O recuo do STMA, segundo a administração da companhia aérea nacional, aconteceu na sequência das reuniões, estando prevista a continuação das negociações " com vista à construção de uma solução equilibrada e sustentável ". O presidente do conselho de administração da TAAG, Clóvis Rosa, citado no documento, considerou que " existem naturalmente matérias sobre as quais é necessário aproximar posições, mas o objectivo é encontrar soluções equilibradas para os quadros da companhia e sustentáveis para a organização".
Numa carta do STMA datada de 01 de Setembro e enviada ao conselho de administração da TAAG, com cópias ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social ( MAPTSS), Ministério dos Transportes, Inspecção - Geral do Trabalho e Agência Nacional de Aviação ( ANAC) com o assunto "Protelação da Greve", o conselho executivo do STMA diz que a realização da greve foi adiada e que a deliberação teve como base o pedido de renegociação do caderno reivindicativo que culminou com o encontro de 31 de Agosto. O que o STMA faz questão de clarificar na acta da reunião de 31 de Agosto - a que o NJ teve acesso e publica nesta edição - é que a greve será protelada e não levantada. Protelar significa adiar, retardar, deixar para depois a realização de algo. Neste caso, o STMA terá preferido o último significado, uma vez que deu à administração da TAAG 20 dias, a contar da data do inicio das negociações, para se chegar a um acordo; findo os quais, voltará a agendar novamente a greve. Foi nesta reunião que a administração da TAAG anunciou ( e consta em acta) que está sem espaço de manobra para revisões salariais em 2027. Resta saber como vão reagir os sindicatos que fazem parte da TAAG.
Famosos são também aqueles que aqui chamamos "solilóquios de Miguel Carneiro", o presidente da comissão executiva ( PCE) da TAAG, que recentemente terá admitido que a empresa tem 45% da sua frota no chão, ou seja, quase metade está em terra, realçando, inclusive, que " em aviação, qualquer companhia aérea que tenha 8% da sua frota no chão já é um problema e nós temos 45%". Disse igualmente que o " turn around time", ou seja, o período de rotação das aeronaves da TAAG é o dobro da indústria aeronáutica . "O Dash tem de rodar em 35 minutos e nós rodamos em uma hora e meia. O 737 tem de rodar em 35 minutos e nós rodamos em uma hora e meia, o 777 tem de rodar em duas horas e nós rodamos em três horas". O período de rotação começa a contar a partir do momento em que a aeronave estaciona depois da aterragem e termina quando parte para o próximo voo. O problema é que a TAAG e o Aeroporto António Agostinho Neto não acertaram, até porque as grandes manutenções ainda são feitas no " velho" aeroporto 4 de Fevereiro, onde tudo fica dentro do standard.

Miguel Carneiro lançou números e declarou interessantemente que desde 2012 até à data actual, a TAAG teve um prejuízo acumulado de 1, 5 mil milhões de dólares norte- americanos; o ano passado, teve um prejuízo de 142 milhões de dólares norte- americanos... se não mudarem a forma de trabalhar, se continuarem na ineficiência , a previsão do PCE é de que a TAAG termine o ano de 2026 com um prejuízo de 210 milhões de dólares norte- americanos. Revela ainda que a TAAG deve a todo o mundo, incluíndo a Boeing e a Airbus, e que "Ninguém está mais para dar "kilapi" à TAAG". Assim, o PCE comissiona-se a transformar :" Não há nenhuma área da TAAG que está neste momento a cumprir com as expectativas". Isto não anda lá muito famoso...! Recorda ainda que a TAAG estava numa "guerra civil" quando lá chegou e que é necessário estabilizar a casa. Os solilóquios terminam dizendo que a TAAG já não tem mais aviões para se " roubarem" peças, que a companhia não está bem e que a sua degradação vai-se tornando cada vez mais evidente. Termina passando a ideia de que é o D. Sebastião que veio salvar a nossa companhia de bandeira das suas " bandeiras" pois sempre sonhou em chegar ao cargo de PCE e foi se preparando para tal. Como se diz na linguagem popular : "alguém vai ficar famoso".