Na E1, a corrida começa muito antes de os RaceBirds entrarem na água. Por trás das equipas estão milionários e estrelas mundiais do desporto e do entretenimento, como Rafael Nadal, Steve Aoki, LeBron James, Will Smith e Tom Brady, numa grelha que junta alguns dos nomes mais reconhecidos do desporto internacional e ajuda a explicar a ambição global do campeonato.

Foi numa quarta-feira, 25 de Março, que Will Smith chegou ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, acompanhado por uma delegação, para anunciar oficialmente a inclusão de Luanda no UIM E1 World Championship presented by PIF, o campeonato mundial de corridas de barcos eléctricos.

Passados quase seis meses, o anúncio transforma-se numa competição nas águas do Yacht Clube, com a Westbrook Racing by Visit Angola a representar Angola e a perseguir a Team Brady na classificação. A equipa de Tom Brady, lenda da principal liga de futebol americano, a NFL, soma 119 pontos, mais nove do que a formação que corre com as cores nacionais.

A tentar recuperar terreno na tabela está também a Team AlUla de LeBron James, que surge na Baía com 75 pontos na classificação. Um dos maiores nomes da história da NBA, a estrela norte-americana prepara-se para iniciar a 24ª temporada da carreira, um recorde, e anunciou nas redes sociais que vai estar no evento.

Estes pássaros marinhos eléctricos não são simplesmente barcos com motores eléctricos. A sua engenharia foi concebida para "voar" sobre "asas" submersas que, ao gerarem sustentação hidrodinâmica, elevam o casco acima da superfície da água.

A E1 apresenta o RaceBird como uma plataforma de inovação destinada não apenas à competição, mas também a influenciar o desenvolvimento de futuras embarcações eléctricas comerciais. A organização identifica a propulsão eléctrica e o foiling como elementos centrais do projecto.

A velocidade máxima anunciada é de 93 km/h, ou 50 nós. Com o casco elevado sobre os hidrofoils, o RaceBird explora a redução da resistência hidrodinâmica como uma das chaves para alcançar essa velocidade. Porém, este princípio está longe de ser recente.

Segundo a E1, a tecnologia remonta ao século XIX. Em 1869, Emmanuel Farcot recebeu uma patente para um sistema de asas destinado a elevar uma embarcação e reduzir a resistência da água.

Desde então, o princípio foi desenvolvido e aplicado em diferentes tipos de embarcações, incluindo barcos de transporte e máquinas de competição. Mais de 150 anos depois, a E1 adapta este princípio a uma nova geração de barcos eléctricos, combinando os hidrofoils com um sistema de propulsão também ele eléctrico.

A engenharia por trás dos RaceBirds

Debaixo do casco está uma bateria com capacidade de 35 kWh, responsável por armazenar a energia que alimenta o sistema de propulsão eléctrico. O motor pode entregar até 150 kW de potência, cerca de 200 cavalos.

No entanto, capacidade e potência não são a mesma coisa. Os 35 kWh dizem-nos quanta energia a bateria consegue armazenar; os 150 kW indicam a potência que o sistema consegue entregar para fazer o RaceBird acelerar.

A E1 quer levar esta combinação para além da competição, por isso defende uma abordagem à sustentabilidade que passa pela protecção e regeneração dos ecossistemas aquáticos e pela promoção de soluções de mobilidade eléctrica na água.

Duplas mistas, a particularidade desta competição

Cada equipa é formada por dois pilotos, um homem e uma mulher, que partilham a condução do RaceBird ao longo do fim-de-semana. A organização possui também uma academia de pilotos, a Pilot Academy, destinada a descobrir e preparar novos talentos para competir nestas embarcações.

Em 2024, a Team Brady ficou em primeiro lugar na classificação geral, com 71 pontos, à frente da Westbrook Racing, com 60 pontos.

Em 2025, a Team Brady voltou a conquistar o título, terminando no topo da tabela com 195 pontos, enquanto a Team Rafa subiu à segunda posição, com 184 pontos, depois de ter terminado em quarto no ano anterior.

Nos dias 12 e 13, Luanda recebe a quinta etapa da temporada, depois das provas de Jeddah, Lake Como, Dubrovnik e Mónaco. A qualificação está marcada para sábado, enquanto a corrida principal disputa-se no domingo. Depois de uma paragem em Luanda, a E1 Series ruma a Miami, nos Estados Unidos, para a grande jornada final dupla, nos dias 13 e 14 de Novembro, encerrando um calendário de sete etapas que este ano deixou Lagos e as Bahamas de fora.

A prova acontece depois de um momento histórico para a Team Drogba Global Africa. No Mónaco, a dupla Micah Wilkinson e Tara Pacheco, da equipa do antigo ícone do Chelsea e do futebol da Costa do Marfim, Didier Drogba, conquistou a primeira vitória na E1 Series.

Como será o E1 Luanda GP?

A competição começa no sábado com uma qualificação dividida em quatro fases. Em cada uma, as duplas procuram os melhores tempos e as duas mais lentas são eliminadas, até restarem quatro equipas para disputar a pole position. Os resultados da qualificação definem depois os grupos e a ordem das pistas para as corridas.

Na fase decisiva, os vencedores dos grupos avançam directamente para a final, enquanto as restantes equipas têm uma última oportunidade no race-off.

As equipas que alcançarem a final competem duas vezes. O resultado da primeira corrida determina a ordem das pistas para a segunda, que é disputada até à bandeirada e define o vencedor da etapa.

A estratégia também pesa. Em cada corrida, os pilotos têm de completar uma volta longa e uma volta curta e podem recorrer a um sistema de potência adicional, o variable boost. A utilização deste recurso exige gestão, já que o RaceBird precisa de recarregar antes de voltar a disponibilizá-lo.