A guerra no Médio Oriente, que já está na sua 4ª semana, começa assim a fazer-se sentir em África, com a RDC a ser apenas um dos países onde isso é já evidente, sendo que, nalguns casos, uma crise de grande dimensão está a ser evitada com recurso à Nigéria.
Isto, porque (ver aqui) a Refinaria Dengote, a mais recente e a maior de África, que entrou em funcionamento em finais de 2024, com capacidade para refinar 650 mil barris por dia, está a acudir aos apertos em países como o Gana, Costa do Marfim, Tanzânia...
Tal como Angola, que ainda conta apenas com a refinaria de Luanda, com capacidade máxima de 50 mil barris por dia, quando as necessidades diárias chegam aos 200 mil, a RDC também está dependente das importações de combustíveis.
E o fecho do Estreito de Ormuz, por onde passam, do Golfo Pérsico para o Oceano Índico, 20% do crude e do gás mundiais (ver aqui), devido ao conflito começado por Israel e EUA contra o Irão, começa a secar as bombas de combustível em vários cantos do mundo e o continente africano não é excepção.
Com efeito, a RDC, que tem um crónico défice de produtos derivados do petróleo, como o demonstra o constante tráfico de gasolina e gasóleo de Angola para o outro lado da fronteira, é um dos países mais frágeis na capacidade de responder a este problema global.
E é por isso que a população, mesmo que o problema ainda não seja severo, já está a começar a correr para os postos de abastecimento de modo a armazenar o máximo possível para os tempos adversos que se adivinham se o conflito, como se antecipa, não terminar em breve.
Segundo relatos feitos por jornalistas congoleses, nalgumas áreas de Kinshasa, os automobilistas e motociclistas passam mais de três horas em longas filas para abastecer e, segundo avança o site AfricaNews, já começa a ser difícil encontrar transportes públicos devido à dificuldade em abastecer.
Tal situação na RDC tende a pressionar as linhas de tráfico de combustíveis de Angola para o Congo, aproveitando os preços subvencionados para obtenção de ganhos relevantes e que agora, com esta nova realidade, podem ser ainda mais robustos.
Entretanto, este problema está a ser minimizado nalguns países africanos porque a maior refinaria africana, que entrou em funcionamento em 2024, situada na Nigéria, com capacidade de refinação de 650 mil barris/dia, e é um investimento do homem mais rico de África, Aliko Dengote, começou a colocar os seus produtos em vários países.
Togo, Camarões, Tanzânia, Gana ou a Costa do Marfim, aparecem, segundo os media especializados na lista dos primeiros clientes africanos da Refinaria Dengote, aproveitando a redução da oferta gerada pela guerra no Médio Oriente, sendo que outros países, como a RDC, República do Congo, ou Zâmbia, estão na calha para serem clientes.
O primeiro passo para a expansão regional da Refinaria Dengote, situada na região de Lagos, começou esta segunda-feira, 23, com o anúncio de que foram exportados 12 cargas, totalizando 456 mil toneladas de fuel, para seis países da região.
O que está dentro dos objectivos iniciais deste investimento superior a 20 mil milhões USD, que são proporcionar independência energética à Nigéria e a toda a África Ocidental e Central, uma das áreas de potencial mercado para os excedentes das refinarias angolanas.
Um porta voz da Refinaria Dengote, citado pelas agências, sublinhou que o conflito no Médio Oriente está a ajudar a queimar algumas etapas na conquista de quotas de mercado e acrescentou que esta unidade tem já procura fora do continente africano, especialmente no que toca ao jet fuel.

