A medida do Executivo, que suspendeu desde o dia 6 de Janeiro toda a actividade comercial de pesagem de material ferroso e não ferroso em todo o País, colocou milhares de famílias em situação de vulnerabilidade extrema, visto que agora não conseguem ter comida em casa.

O Executivo diz que a medida surge como resposta aos sucessivos actos de vandalismo que têm afectado infra-estruturas públicas essenciais, como redes eléctrica e hídrica, transportes, comunicações e sistemas de saneamento.

Entretanto, os comerciantes e proprietários das casas de pesagem compreendem a posição do Governo de acabar com o vandalismo e roubos de bens públicos essenciais às populações, mas asseguram que o Executivo devia ter ouvido, antes da decisão, os homens do sector.

Segundo os comerciantes de material ferroso, há que punir gravemente quem prejudica o bem público, mas deviam acautelar-se certos pontos, visto que nem todos os materiais, tais como o plástico e o papelão, tenham a ver com os actos de vandalismo que têm afectado as infra-estruturas públicas.

Vários catadores de ferro, papelão, plástico e latas dizem que desde que o Governo proibiu as casas de pesagens de exercerem esta actividade, estão sem soluções de sobrevivência.

Ao Novo Jornal, a Nação Verde, uma associação que impulsiona a educação ambiental, voltada para a reciclagem de resíduos, que conta com mais de 200 catadores destes materiais, assegura que milhares de cidadãos que sobreviviam desta actividade estão a passar fome.

"É uma realidade, e isso nós temos constatado. A proibição ou suspensão das casas de pesagem de material ferroso e não ferroso agravou a situação da fome no País", afirmou Nuno Cruz, presidente da Associação Nação Verde.

Segundo Nuno Cruz, os catadores de ferro, plástico, papelão e latas pertencem a uma franja da sociedade que se dedica à recolha destes matearias para garantir a sua subsistência.

Nuno Cruz afirma que os catadores, após recolherem estes materiais, juntam-nos e vendem-nos às casas de pesagem.

Com o pouco dinheiro que recebem, sustentam as suas famílias, que agora estão sem alimentos.

Conforme Nuno Cruz, milhares de chefes de família viram na actividade de recolha de resíduos a única forma de subsistência e agora estão sem fazer nada devido à suspensão desta actividade.

Taukar Saidou, presidente da Associação dos Sucateiros de Angola, que congrega mais de 500 cidadãos do oeste-africano, disse ao Novo Jornal que muitos dos estrangeiros que vivem desta actividade estão parados.

Segundo este líder associativo, os comerciantes estrangeiros que dominam essa actividade concordam com a proibição do Governo para acabar com os sucessivos actos de vandalismo e roubos de bens públicos, mas lamentam o facto de a proibição abranger também os materiais não ferroso.

Deviam proibir apenas os materiais ferrosos que realmente tem resultado em prejuízos para o Governo, admite.

Quanto aos não ferrosos, os cidadãos do oeste-africano são unânimes em reconhecer que o Governo angolano deve recuar, visto que estão muitas familiais a passar fome, que sobreviviam da recolha e venda de plásticos, papelões e latas.

Taukar Saidou, líder da Associação dos Sucateiros de Angola, disse ao Novo Jornal que muitos catadores têm procurado a associação para pedir ajuda com alimentos, porque não têm encontrado outras soluções.

Já Nuno Cruz, da Associação Nação Verde, assegura que o decreto presidencial que proíbe a actividade, peca ao incluir os materiais não ferrosos.

Em uníssono, os comerciantes e catadores, assim como as fábricas do sector, pedem o abrandar da proibição para evitar transtornos e sofrimento às famílias que dependiam desta actividade.

É importante lembrar que o Executivo angolano suspendeu, desde o dia 6, a actividade comercial de pesagem de material ferroso e não ferroso em todo o País.

Segundo o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, o encerramento das casas de pesagem tem como objectivo desincentivar a vandalização de bens públicos.