A segunda ocorreu com Bento XVI em 2009, ou seja, decorridos sete anos sobre a Visita de João Paulo II.
Quer isto dizer que a primeira visita de um Papa a Angola teve lugar há trinta e quatro anos e porque a maioria da população do país não tem essa idade não tem nem podia ter dela qualquer memória por nem sequer ter nascido.
Em 1992 o mundo vivia um período de transição recriando uma nova esperança de paz e as guerras que existiam deram lugar a acordos entre os beligerantes para lhes porem termo, seguindo-se eleições multipartidárias, mas infelizmente a guerra em Angola persistiu ate 2002, ou seja durante mais dez anos.
Quando S Santidade o Papa João Paulo II visitou Angola em 1992 a escassos três meses das primeiras eleições multipartidárias eram já notórios os factos geradores do retorno à guerra em Angola como veio a ocorrer.
Não admira por isso que na visita que realizou então ao país João Paulo II privilegiasse nas várias alocuções que proferiu a necessidade do reforço da paz e da reconciliação nacional, de par com incentivos ao fortalecimento da fé cristã.
A Igreja católica que ao longo da história da luta de libertação nacional fez evidenciar personalidades que se irmanarem com essa luta não descurou o apoio às comunidades locais , o que sublinha por ser de inteira justiça, tal como é justo registar as intervenções da Conferência Episcopal em prol da paz.
Uma menção especial é devida a S Eminência o Cardeal D. Alexandre do Nascimento, primeiro Cardeal de Angola, de que me honro de ter sido seu colega no curso de direito por na altura lhe ter sido fixada residência em Lisboa em resultado das actividades anticoloniais que desenvolvia decidindo frequentar a Faculdade de Direito tendo então com mais idade que os restantes colegas.
Quando o Papa Bento XVI visitou Angola em 2009 o país já havia encetado o caminho da paz e da reconciliação nacional, mas nem assim os problemas deixavam de ser de monta,
Daí que nas intervenções invocasse a atenção à dimensão da pobreza, a luta contra a corrupção, a violência sobre as mulheres, a necessidade de ser assegurad0 o combate à feitiçaria e defendida a liberdade da imprensa,
O périplo que agora o Papa Leão XIV vai realizar a Angola de 18 a 22 ocorre num período em que felizmente o país está em paz há 24 anos.
O Vaticano na nota que emitiu a propósito da visita de Leão XIV refere ser o périplo uma viagem apostólica.
Quer isto dizer que não deixará de realçar a importância dos valores da igreja católica e a necessidade do reforço do diálogo inter-religioso, tão importante como a guerra em curso no Irão evidencia
Falar de religiões não significa termos presente apenas as monoteístas, que acreditam num Deus único, como o cristianismo, o islamismo e o judaísmo , particularmente em África com religiões animistas e até tribais estas aqui e além associadas à feitiçaria que importa pedagogicamente combater.
Em Angola para alem do mais existe uma religião muito singular criada por Simão Toco que se alegava profeta fazendo nascer um movimento cristão hoje com sede em várias cidades como Lisboa. Paris, Londres, Roterdão entre outras.
O papel da igreja Católica, o que representou e representa como religião com maior número de aderentes é insubstituível e imprescindível em múltiplos domínios e a instituição sabe como ninguém do papel que tem num mundo cada vez mais incerto e, muito carente de valores e princípios que importa recriar.

