O relatório publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) analisa a chamada pobreza monetária, isto é, a situação de quem vive em lares com rendimentos abaixo dos limiares de pobreza definidos internacionalmente, que variam consoante o nível de rendimento de cada país.
Num cenário "adverso", cerca de 18,3 milhões de menores ficarão em situação de pobreza este ano. Num cenário "grave", que contempla um prolongamento ou intensificação do conflito, o número sobe para 23,4 milhões.
A directora-executiva da Unicef, Catherine Russell refere no relatório que o aumento do custo de vida está a tornar "alimentos e educação inacessíveis para muitas famílias", enquanto os menores já em situação de pobreza enfrentam "privações cada vez mais profundas, com consequências que podem prolongar-se por toda a vida".
A Unicef considerou que o encarecimento dos alimentos e da energia, aliado ao reduzido espaço fiscal de muitos países, está a limitar a capacidade dos lares para satisfazer necessidades básicas.
O relatório indicou que cerca de 80% do aumento previsto da pobreza infantil se concentrará na Ásia e sobretudo em África, "regiões que já registam elevados níveis de pobreza e maior vulnerabilidade a crises externas".
Entre os exemplos citados figura a Somália, onde os preços do combustível duplicaram poucos dias após a escalada do conflito em Fevereiro, elevando também o custo da água, dos alimentos e das operações humanitárias.
Na Etiópia, as interrupções ligadas ao estreito de Ormuz elevaram em 31% o preço do gasóleo e entre 50% e 70% o custo do combustível utilizado em operações humanitárias.
Segundo a Unicef, sem medidas urgentes "milhões de crianças ficarão ainda mais para trás", dificultando a recuperação dos avanços em desenvolvimento.
Por fim, a organização apelou a governos, países doadores e instituições financeiras para que "protejam o financiamento de serviços essenciais" como saúde, nutrição, educação e protecção infantil.
