A carência de medicamentos e a incapacidade de muitas famílias para custear os tratamentos têm agravado as dificuldades naquele município.
As autoridades locais de saúde, citadas pela Rádio Nacional de Angola (RNA), explicam que têm apelado aos pacientes e aos seus familiares para comprarem produtos como leite. "Sensibilizamos os familiares dos pacientes, aqueles que têm mínima possibilidade, depois nós fazemos preparação de leite terapêutico", referiram.
O leite terapêutico integra os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento da desnutrição aguda grave e é utilizado em unidades hospitalares de vários países.
De acordo com o manual Materiais de Apoio ao Tratamento da Desnutrição no Internamento (TDI), elaborado no âmbito do Programa de Reabilitação Nutricional (PRN II), o processo desenvolve-se em duas fases. Na primeira, é administrada a fórmula F-75, destinada à estabilização clínica e ao tratamento de complicações como hipoglicemia, desidratação e infecções. Recuperado o apetite e alcançada a estabilidade clínica, inicia-se a segunda fase, com a fórmula F-100, mais rica em energia e proteínas, para promover a recuperação nutricional, o ganho de peso e o crescimento.
Embora este manual tenha sido elaborado para o Programa de Reabilitação Nutricional de Moçambique, segue as orientações técnicas da OMS para o tratamento da desnutrição aguda grave, que servem de referência em vários países africanos, incluindo Angola.
O caso de Maquela do Zombo enquadra-se num problema de saúde pública mais amplo. O UNICEF alerta que a desnutrição infantil em Angola contribui significativamente para a mortalidade infantil e pode causar danos permanentes no desenvolvimento cognitivo, comprometendo o bem-estar das crianças e a sua produtividade na idade adulta. A agência estima também que cerca de 40% das crianças angolanas com menos de cinco anos sofram de desnutrição crónica, um indicador que condiciona o crescimento económico e os esforços de redução da pobreza.
Para inverter este quadro, o UNICEF defende o reforço dos cuidados básicos de saúde prestados à gestante, ao recém-nascido e à criança, bem como a adopção de práticas que favoreçam o crescimento e o desenvolvimento infantil.
Entre essas medidas, destaca a amamentação exclusiva até aos seis meses e continuada até aos 23 meses, por proporcionar um início de vida mais saudável, estimular o desenvolvimento cerebral e funcionar como a primeira vacina do bebé. A agência considera ainda que o aleitamento materno pode reduzir em cerca de 25% a mortalidade infantil e contribuir também para diminuir a mortalidade materna associada, por exemplo, a hemorragias pós-parto.
