Com a contagem dos votos ainda a decorrer, os resultados conhecidos apontam para uma catástrofe eleitoral do histórico partido de Nelson Mandela, que se prepara para perder municípios estratégicos em Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo.

Depois de nas eleições Presidenciais de 2024 ter sido humilhado, sendo obrigado a partilhar o poder com a Aliança Democrática (AD), força política "herdeira" do Partido Nacional que liderou o regime do apartheid entre 1948 e 1994, o pesadelo continua.

Quando os votos continuam a ser contados, embora já na fase derradeira da soma das parcelas desta matemática eleitoral trágica para o ANC, este pode ser o canto do cisne do partido que lutou e venceu o apartheid.

Os media sul-africanos avançam esta sexta-feira, 06, que, com dois terços dos votos contados é já claro que o ANC, para manter o poder municipal nas grandes cidades do país terá de copiar a solução encontrada nas Presidenciais, aliando-se a outras forças.

Com 71% dos votos contados em todo o país, o ANC soma 32%, contra 25% da Aliança Democrática, uma proximidade que nunca tinha sido observada em eleições locais e pode ainda esbater-se mais à medida que o resto dos votos são contados.

Mas o que mais está a ser notado é a queda de, para já, pelo menos 14% na soma dos votos do ANC em relação às anteriores eleições autárquicas, em 2021.

A maioria dos analistas sul-africanos, como sobressai da leitura dos jornais online do país, aponta como razão para esta catástrofe eleitoral do ANC, depois de liderar em quase todos os municípios relevantes desde o fim do apartheid, em 1994, é a sangria na qualidade de vida, o desemprego, a inflação, corrupção, a insegurança e os persistentes "apagões" eléctricos e no fornecimento de água.

Um cenário que permitiu que os resultados actuais apontem para uma vitória da AD em algumas das principais cidades sul-africanas, como a Cidade do Cabo, e ainda em municipalidades muito relevantes de Joanesburgo ou Pretória, com a perda iminente de Tshwane, a área administrativa da capital política do país.

Como cereja no topo do bolo desta tragédia eleitoral para o ANC, se não ocorrer uma reviravolta inesperada, avança a Reuters, a municipalidade central de Durban, de eThekwini, pode ser arrebatada pelo partido criado pelo antigo Presidente Jacob Zuma, que deixou o ANC em confronto com a direcção de Cyril Ramaphosa.