A detecção do primeiro caso na Nigéria é uma situação séria, porquanto mostra que a infecção está a alastrar para a África Ocidental e logo no país mais populoso do continente africano.

Mas mostra igualmente que, a confirmar-se que se trata de um paciente oriundo do Uganda, a epidemia, ao contrário do que afirmam as autoridades de Kampala, o vírus, que infectou, nos meses de Maio e Junho, antes de ser dado como extinto no país, dezenas de pessoas, ou está de regresso ou não chegou a ser debelado.

Este caso surgiu na capital política da Nigéria, em Abuja, e foi detectado numa mulher que acabara de chegar do Uganda, segundo o Ministério da Saúde nigeriano, que descreveu que a situação foi confirmada depois de a paciente começar a mostrar sintomas a 07 de Outubro.

O problema para as autoridades sanitárias deste gigante africano é que a mulher só deu entrada no hospital de Abuja quatro dias depois dos primeiros sintomas, o que significa que as equipas médicas de resposta de emergência estão agora obrigadas a encontrar todas as pessoas que lidaram com ela nesses dias que antecederam o seu internamento.

Além disso, porque a fase de transmissibilidade da infecção acontece antes dos sintomas, as autoridades sanitárias nigerianas estão agora obrigadas a percorrer em sentido contrário todo o percurso da mulher que nem sequer sabem em que data entrou no país oriunda do Uganda.

De acordo com o ministro da Saude, Muhammad Pate, citado pela imprensa local, há 44 pessoas numa lista, que não está fechada, que estão a ser procuradas pelas equipas médicas para despistar o vírus do Ébola.

"Estão a ser feitos todos os esforços, absolutamente todos, para conter o vírus, e para isso é da máxima prioridade tracejar não apenas o seu percurso no país como encontrar todos aqueles com quem esteve fisicamente neste período", disse ainda o responsável nigeriano.

Para agravar a situação, depois do primeiro caso detectado no Quénia, igualmente em alguém oriundo da região dos Grandes Lagos, agora, nesta terça-feira, 20, as autoridades de Saúde quenianas detectaram mais um caso num homem de 24 anos, que já estava em quarentena no seguimento do outro caso, o que demonstra que o vírus teve tempo para se dispersar.

Este indivíduo é próximo da primeira vítima é foi colocado em quarentena devido ao trabalho realizado no seguimento e procura das pessoas que estiveram na linha da frente dos contactos com o caso "1" no país, que chegou ao país oriundo da RDC, por via aérea, já embarcado no Uganda, para onde seguiu por terra do país de origem.

Até ao momento, esta epidemia já provocou mais de 9.500 infeccções, a maior parte na RDC, com mais de 4.600 mortos, desde Maio (ver links em baixo).

Apesar de ainda sob controlo, a chegada do vírus Bundibugyo, estirpe do Ébola para a qual não existe vacina ou tratamento, o que sucede com as estirpes mais comuns, a países vizinhos da RDC, como o Quénia, Nigéria ou Uganda, mostram e expõem a possibilidade de a infecção alastrar tanto geograficamente como além dos limites controláveis.