Esta infecção, provocada pelo vírus do Ébola, que leva a uma das febres hemorrágicas mais letais conhecidas, começou no início deste ano mas tem como data oficial 15 de Maio, e é a mais grave ocorrida na RDC desde que o vírus passou dos animais selvagens para a população humana na província congolesa do Equador, em 1976.
Só a epidemia 2013-2015, ocorrida na África Ocidental, na Libéria, gerou não apenas mais mortos e casos de infecções, como preocupações, pelo impacto social e económico que teve, obrigando a mais de um milhão de pessoas a deixar as suas casas em busca de lugares à salvo do vírus.
Mas esta epidemia tem ainda outra particularidade que faz com que as autoridades sanitárias congolesas e as organizações internacionais, como a ONU, estejam mais inquietas que nas anteriores, que é ter por detrás a estirpe Bundibugyo, do Ébola, para a qual não há nem vacina nem tratamento conhecido, ao contrárias das outras três estirpes mais comuns e melhor estudadas.
Além da RDC foram registados casos limitados ou importados noutros países da região, incluindo o Uganda, o Quénia e a Nigéria, havendo ainda casos exportados para fora do continente africano, em França e nos EUA.
Perante este cenário é cada vez mais evidente que sem uma resposta de grande impacto, em recursos humanos, financeiros e materiais, esta epidemia de Ébola pode evoluir para um desastre de proporções internacionais nunca vistas.
HIstórico
Os dados das autoridades congolesas e das organizações e agências das Nações Unidas e da União Africana coincidem plenamente na evidência da excepcionalidade desta epidemia de Ébola que foi declarada a 15 de Maio mas pode ter começado logo em Janeiro.
O vírus responsável por este cenário dramático na RDC é a estirpe Bundibugyo, uma das cinco conhecidas do Ébola, mas a única que infecta humanos e não tem nem vacina nem tratamento conhecidos.
Essa é uma das razões para este crescente mapa da infecção que alastra para várias províncias da RDC a partir de Ituri, no leste do país, junto á fronteira com o Uganda, onde esteve a alastrar mas foi debelada em Junho ainda.
A outra razão é escassez de infra-estruturas de Saúde na RDC, exigindo a deslocação de um elevado número de pessoal médico e todo o tipo de equipamento, de forma a cobrir uma vasta região maior que muitos países no continente.
E como se fosse pouco, o leste congolês é a "casa" de quase 5 milhões de refugiados alojados em campos com condições longe do ideal, onde a infecção ganha tracção facilmente.
Por cima deste manto de problemas, esta é uma das geografias africanas mais densamente povoada pelo crencismo ancestral na medicina alternativa, nos curandeiros e nos feiticeiros, que afastam as vítimas dos postos médicos oficiais e os levam para as suas aldeias onde se estabelecem como novos vectores da doença.
Um dos problemas mais sérios (ver links em baixo) é que a cultura local contempla a despedida dos cadáveres de familiares e amigos com toques no corpo, o que é uma auto-estrada para o vírus que alastra através dos fluídos corporais das pessoas infectadas.
A gravidade desta epidemia é de tal ordem que as organizações internacionais, como a OMS, e cada vez mais especialistas, defendem uma intervenção internacional musculada de forma a evitar que a infecção ganhe uma dimensão para a qual não seja antecipável uma resposta eficaz.
As equipas de resposta alertam que a doença se está a propagar a uma velocidade sem precedentes, ultrapassando os esforços para a conter nas regiões mais remotas do país.
A rápida propagação da doença é alimentada pela insegurança, pelas deslocações forçadas e pelos intensos movimentos populacionais.
A atual epidemia de Ébola infetou e matou mais pessoas a um ritmo mais acelerado do que qualquer outro surto na história.
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) já avisou em Julho que a epidemia do vírus Ébola na RDC está "longe de estar controlada" e avisou que há um elevado risco de propagação internacional e anunciou que esta constituía uma emergência de saúde pública de interesse internacional.
"Desde então, a epidemia espalhou-se rapidamente e o risco de uma propagação nacional e internacional maior continua elevado", avisou Tedros Adhanom Ghebreyesus, na abertura de uma reunião do comité de emergência sobre o Ébola.
Segundo recentes informações da OMS, o vírus do Ébola começou a circular no leste da RDC em fevereiro, embora uma investigação publicada na revista "Science", no final de julho, tenha sugerido que as primeiras infeções teriam ocorrido ainda antes, pelo menos em janeiro.
Após a declaração do surto em Ituri, o vírus propagou-se a várias regiões, atingindo o estado de epidemia na RDC e atingiu a vizinha Uganda, país que se declarou "livre do Ébola" a 28 de julho, após registar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos considerados importados do país vizinho, entre os quais se contaram duas mortes.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.










