Vamos começar pelas declarações do Presidente Donald Trump. Não estaremos aqui perante mais uma manobra em que ele procura ganhar o tempo. O que precisa para haver na região uma força capaz de garantir uma invasão terrestre? Qual é a sua visão?
Tudo aponta nesse sentido, tudo aponta nesse sentido, porque a parte comunicacional é uma parte determinante nestes conflitos tanto no nível estratégico como no nível das percepções. Esse é um conflito que circula muito em termos das percepções, aliás, hoje a dimensão cognitiva da guerra é a dimensão central, em qualquer um dos conflitos, tanto no conflito da Ucrânia como no conflito do Irão. O conflito do Irão é um conflito ainda muito mais sensível, porque o Irão teve a ousadia de atacar as bases americanas, fê-lo em primeira instância e coloca como centralidade da sua acção estratégica, não tanto a destruição de Israel, porque sabe muito bem que isso é um objectivo que seria até existencial para o Irão, porque, em última instância, Israel recorreria à "Opção de Sansão", que é uma estratégia, digamos, final, que é na prática fazendo aqui uma alusão a Sansão que destruiu o Templo como acto último, aqui seria o uso de bombas nucleares. O Irão tem percepção de que o risco nuclear em cima da mesa é um risco real, e um risco, muito mais quando a liderança israelita de alguma distopia, mas, digamos que, de algum radicalismo, é o termo mais adequado. Há aqui uma gestão da escalada que faz que o Irão tenha apontado as baterias para o elo mais fraco, estranhamente aqui, o elo mais fraco são os Estados Unidos. E são os Estados Unidos porquê? Sendo a hiperpotência, o interveniente mais poderoso, só que o poder tem que ser aplicado, e a aplicação do poder tem a ver com uma coisa que é a distância e que Donald Trump costuma dizer que nós e a Europa temos um "Beautifull Ocean between"... "temos um belo oceano no meio" e aqui não só um belo oceano, tem um belo oceano e também um belo continente.
Trump vai arriscar colocar tropas no terreno por causa da questão do Estreito de Ormuz? Vamos ter "boots on the ground" caso falhe qualquer processo de negociação de paz?
Os indicadores que temos neste momento é que os EUA, em termos de forças terrestres para fazer uma acção que possa fazer a diferença para um país com a dimensão do Irão, com a capacidade do Irão, não nos vamos esquecer de que o Irão tem um milhão de militares, o exército não é todo masculino, mas tem uma componente de cerca de um milhão de militares, ainda tem as Forças Bagi, que são uma força de mobilização popular, poderão ir até um milhão. Como já vimos, o Irão está bem preparado tecnologicamente e também no plano motivacional, nunca nos podemos esquecer de que um, permita-me um salto de frequência, segundo o professor Luís Borges, o pai desta ideia em termos do poder, o terceiro elemento do poder, que é o Poder do conhecimento tem duas vertentes, o conhecimento científico e o conhecimento das convicções. O conhecimento das convicções é onde entra a espiritualidade, a cultura, a parte motivacional e onde entra a parte informacional e motivacional, como dizíamos, portanto, prontos, as forças iranianas estão naturalmente muito motivadas, é isso que temos verificado na tranquilidade com que o Ministro dos Negócios do Irão que transmite quando fala com os jornalistas. O que espanta a comunidade internacional como é que o Irão diz que essa guerra vai durar seis meses no mínimo, isso é uma equação para qual os EUA não estão preparados.
Parecia que seria tudo muito rápido para os EUA e que em quatro dias estaria tudo resolvido...
Quatro dias era até abrirem as bolsas. A acção estratégica norte americana é "In, boom, out". Foi o que fizeram em Junho passado, foi um acto um pouco hollywoodesco, acordado entre as partes, mediado certamente por outros interlocutores que tinham ou têm uma influência junto do Irão muito grande, e sabemos das potências que, neste momento, estão a apoiar o Irão naturalmente a Federação Russa e a China, aqui muito provavelmente já não será um acto denunciado ou acordado, será um trauma, digamos uma acção traumática e depois uma saída. Trump já disse que atingiu os objectivos e Ormuz não é um objectivo, portanto, quem precisa de Ormuz que o abra, e está aberto, mas está nas condições do Irão e isto faz parte da equação. Se repararmos o que o Irão está a fazer é querer aplicar as regras ao Estrito de Ormuz, que, por exemplo, o Panamá aplica no canal do Panamá, que o Egipto aplica no canal do Suez, que a Turquia aplica no Estreito do Bósforo, que a Argentina aplica numa rota marítima que tem, que os próprios americanos aplicam em determinado local que exige uma passagem e que naturalmente quando uma embarcação entra na Baía de Luanda tem de coordenar com a autoridade marítima, e que tem custos naturalmente, pois porque se tem trabalho da parte da autoridade marítima nacional angolana que é naturalmente um curso que tem que remunerado.
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