Também a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que está a reforçar com meios extraordinários a capacidade de combate ao alastramento da febre hemorrágica que já matou 136 pessoas nas províncias de Ituri e Kivu Norte e ameaça os países vizinhos.
Além dos 136 mortos registados oficialmente, estão, nesta quarta-feira, 20, confirmados cerca de 70 casos em tratamento e perto de 540 casos suspeitos à espera de confirmação laboratorial, mas é sabido que os números reais deverão ser muito superiores.
Isto, porque, como admitem os Médicos Sem Fronteiras (MSF), organização igualmente presente no terreno, um dos maiores constrangimentos no ataque a esta epidemia, como noutras, em África é que as comunidades locais são muito relutantes em procurar tratamento médico oficial.
Pelo contrário, preferem, apesar das campanhas de sensibilização para os riscos desse comportamento, procurar ajuda entre os curandeiros tradicionais (feiticeiros), que, normalmente, usam rituais que ajudam ao contágio entre a comunidade porque esta infecção necessita de contacto físico claro para se dispersar entre humanos.
Outra prática ancestral que não ajuda a debelar a epidemia é o hábito de contacto com as vítimas por parte de familiares e amigos no decurso das cerimónias fúnebres, por ser onde os cadáveres estão mais activos enquanto retransmissores do vírus hemorrágico.
Actualmente a epidemia (ver links em baixo) está condicionada às províncias congolesas de Ituri, onde começou, e Kivu Norte, sendo que já foram registados casos no Uganda, que faz fronteira, além do Sudão do Sul, com a primeira, e há suspeitas no Ruanda, fronteiriço à segunda, que já decidiram fechar as fronteiras para reduzir o risco de dispersão do vírus.
O esforço das equipas médicas é ainda contrastado com a ausência de vacina ou tratamento eficaz para a estirpe do vírus do Ébola que está na origem desta epidemia, o Ébola-Bundibugyo, com origem no Uganda, sendo que se trata de uma linhagem menos letal que a mais comum, o Ébola-Zaire, original da RDC, para o qual existem vacinas com percentagens altas de sucesso.


