De Sábado, 23, para Domingo, 24, a Rússia lançou, além de centenas de drones sobre a capital da Ucrânia e mais duas cidades limítrofes, como tem sido habitual nos últimos quatro anos, dezenas de misseis incluindo pelo menos um Oreshnik, a super-arma russa, vários projectéis hipersónicos, de cruzeiro e balísticos.
Esta vaga, já considerada como uma das mais pesadas sobre a Ucrânia desde a invasão russa a 24 de Fevereiro de 2022, foi a resposta do Kremlin a um dos mais letais ataques ucranianos em solo russo, num dormitório de uma escola em Starobelsk, na região de Lugansk (ver foto), onde foram mortas 21 pessoas e cerca de 30 ficaram gravemente feridas.
No entanto, quando começam a surgir evidências de que na Rússia cresce um incómodo generalizado com a guerra, além da aparente incapacidade de Moscovo a terminar com uma vitória clara, como se vê dezenas de vídeos com infra-estruturas russas incendiadas por drones, aparentemente está em curso uma mudança de atitude no Kremlin.
E isso fica patente com o uso raro de tantos misseis hipersónicos, seja o Oreshnik, convencional mas com capacidade de destruição próxima de uma ogiva nuclear tática, os Kinzhal, os Zircon, todos hipersónicos, além de dezenas de outros projectéis balísticos e de cruzeiro, sob uma moldura de centenas de drones.
Mas ainda mais se percebe com o alerta emitido esta segunda-feira, 25, pelo Ministério da Defesa russo aos cidadãos ucranianos e de entidades estrangeiras a residirem em Kiev para se manterem longe de locais de interesse militar, organizações governamentais e do Estado ucraniano e de unidades industriais.
O que, segundo os media russos, como site do canal estatal RT, significa que o Kremlin está a anunciar a condução de "sistemáticos ataques de larga escala" sobre a capital ucraniana e outras localidades no país, depois da "gota que fez vazar" o copo da paciência em Moscovo ao Presidente Vladimir Putin que foi o ataque em Starobelsk, na ex-província ucraniana de Lugansk, no Donbass, cuja integração na Rússia os ucranianos não reconhecem.
Sem um fim à vista para o conflito mais longo e letal e destruidor na Europa após o fim da II Guerra Mundial, em 1945, e com a Ucrânia a mostrar que, com o apoio, na rectaguarda, europeu ocidental no acolhimento dos seus centros de produção de armas, nomeadamente drones, os russos parecem agora caminhar para uma abordagem mais pesada.
Embora sem alterar a designação de "operação militar especial" para a sua guerra na Ucrânia, Moscovo está agora a mostrar que não apenas vai reagir de forma mais agressiva aos ataques ucranianos como aparenta querer passar a linha vermelha tácita no mapa dos alvos legítimos, para locais de natureza estatal, por exemplo.
Além disso, nunca como agora se viu um uso concentrado de tantos misseis hipersónicos, a par do Oreshnik, um projéctil balístico hipersónico de médio alcance com capacidade para seis ogivas centrais que carregam cada uma seis sub-munições cujo ataque é através de energia cinética a até 10 vezes a velocidade do som, e não por cargas explosivas.
Isto, numa altura em que a guerra está a meio do seu 5º ano de "vida" e com o terreno na frente de combate marcado por um avanço mais lento da parte russa, com os ucranianos a conseguirem um relativo sucesso na forma como travam as unidades russas.
Isto é mais relevante quando Moscovo procura há mais de um ano conquistar, sem sucesso, os derradeiros 20% de Donetsk, no Donbass, que é o objectivo prioritário do Kremlin, e onde á domina a 100% Lugansk, embora as restantes regiões anexadas em 2022, Kherson e Zaporizhia, estarem ainda a cerca de 75% sob seu domínio, o que não se aplica à Crimeia, desde 2014 totalmente integrada na Federação Russa.










