Isso significa que o crescimento demográfico médio anual nestes referidos dez anos é de 3,21 % em relação ao ano anterior, mais elevado que em qualquer outro país da África subsaariana, enquanto a média do crescimento anual do PIB é de 2,13 % .

Por outro lado e para o, que nos interessa para efeitos do presente artigo há que sublinhar o facto da média etária da população angolana ser muito baixa, de 23,2 anos, razão por que a maioria da população tem idade inferior a esta .

A estes dados importa ainda registar que a luta contra o analfabetismo e a aumento da escolaridade básica tem sido desde a independência uma preocupação positiva apesar dos constrangimentos e limitações existentes .

Os dados referidos são importantes para se avaliarem as causas especificas dos dados estatísticos que revelam que uma parte significativa da população angolana jovem declara desejar emigrar, tendo energia e crescente qualificação para ser uma força não negligenciável e necessária para a criação da riqueza do país..

Quando refiro as causa especificas sobre a dimensão da vontade em se emigrar, elas podem ser muito diferenciadas entre regiões e países, dependendo a avaliação que os candidatos à emigração fazem das potencialidades futuras do país em poderem ou não responderem às necessidades próprias .

Neste domínio a situação é idêntica a quem viva numa região onde não existe energia elétrica, não sentindo o cidadão residente nessa região necessidade de um frigorifico elétrico, ao invés de outro que, residindo numa região eletrificada o frigórico elétrico passa a ser de primeira necessidade.

Fazendo outra comparação noutro plano, mais macro, em Portugal, por exemplo ,a emigração de jovens candidatos a emigrarem é mais significativa nos extratos com graus de licenciaturas superiores e especializadas do que em extratos com menos qualificações , o que nos idos de sessenta do seculo passado não sucedia ,emigrando as pessoas com menores qualificações , dadas as diferenças no grau de desenvolvimento do país.

Isto porque a carência de mão de obra hoje em Portugal é gritante em inúmeros setores da economia ,desde a indústria hoteleira à construção civil , passando pela agricultura e daí quase ao pleno emprego que se verifica , mas este quadro não responde ainda às exigências salarias de jovens altamente qualificados e que procuram obter empregos no exterior mais bem remunerados

Esta é a razão pela qual a carência de mão de obra é colmatada nos sectores onde a procura é maior, e por carência dela os imigrantes respondem a essa necessidades da procura ,sendo hoje já j14% da população residente em Portugal com mais de 1,5 milhões .

Isso não significa que 20000 os jovens portugueses altamente qualificados deixem anualmente de emigrar , numero muito significativo.

Perfilho aliás neste domínio opinião que Simon Kuznets , o pai da criação do conceito moderno do PIB, que afirmou servir de indicador de progresso mas só por si pode não serve para medir o bem estar .

Regressando a Angola os indicadores inicialmente referidos, em que o crescimento anual médio da população tem sido superior ao crescimento do PIB , a manter-se, com uma população tão jovem, não fará regredir o desejo da juventude emigrar e há que encontrar antídotos para a superação deste constrangimento.

O facto de terem ocorrido no mundo desde 2008, impactos sistémicos, primeiro com a crise das dividas soberanas, depois com a pandemia da Covid 19 ,a seguir conflitos armados de enorme impacto , desde logo na Ucrânia e agora no Médio Oriente agravaram de forma crescente os processos migratórios.

No que respeita a África no seu conjunto e como sublinha o Relatório Mundial sobre Migrações , de 2026, publicado pela OIM, Organização Internacional sobre Migrações , os fluxos migratórios representam 3;7% da população Mundial e no no continente africano variam muito de regiões e são mais expressivos entre sub regiões dele ,não se reduzindo à travessia do mediterrâneo para Europa.

No caso de Angola entre 2017 e 2024 emigraram 3,5 milhõe de angolanos a maioria jovens , tendo como destinos principais Portugal, Brasil, França, EUA, Reino Unido e África do Sul.

Daí que por todas as razões, esta questão vá persistir na ordem do dia em todo o mundo , continuando a concitar seguramente uma das priorizações do executivo angolano e dos partidos com assento na Assembleia Nacional, por respeitar a todos e a cada um dos cidadãos, exigindo articulação conjugada de esforços .

Daí o título do presente "Ainda o processo migratório nos nossos dias"Vi