"A segurança rodoviária em Angola exige uma abordagem séria, responsável e urgente. Não estamos perante um problema pontual, nem perante uma simples questão de trânsito. Estamos perante um problema de segurança pública, de saúde pública e de responsabilidade do Estado", disse esta quinta-feira, 01, em conferência de imprensa, a ministra dos Transportes e Telecomunicações do "Governo Sombra" da UNITA Alexandra Ferreira Marques.

Segundo o principal partido da oposição, a dimensão do fenómeno exige prevenção, fiscalização, infraestruturas mais seguras, veículos em condições técnicas adequadas e capacidade de socorro.

Defendeu a criação de uma base nacional integrada de segurança rodoviária, articulada com um Observatório Nacional de Segurança Rodoviária.

"Precisamos de dados actualizados sobre acidentes, mortes, atropelamentos, corredores de maior risco, operadores envolvidos em sinistros, condições dos veículos e tempos de socorro", disse, defendendo também a publicação periódica dos mapas dos pontos negros da rede rodoviária, acompanhados do estado de auditoria, intervenção e correção de cada troço prioritário.

A UNITA defende ainda uma política nacional de segurança rodoviária, através de iluminação, sinalização adequada, passagens pedonais seguras, controlo de velocidade e intervenção nos pontos de maior risco.

"Quando acontece um acidente, há uma tendência quase automática para procurar o culpado mais próximo: O motorista vinha com excesso de velocidade. O motociclista não tinha capacete. O peão atravessou mal. O condutor adormeceu", argumentou.

Disse que em algumas estradas do País, a distância, o estado das vias e a ausência de meios de emergência podem tornar este percurso dramaticamente longo.

"E aqui precisamos de ser rigorosos. Não podemos afirmar que todas as pessoas que morreram poderiam ter sido salvas se a ambulância tivesse chegado mais cedo. Isso seria cientificamente irresponsável", referiu

Os dados sobre acidentes rodoviários em Angola em 2026 revelam uma situação preocupante de segurança na viação. Entre Janeiro e Junho de 2026 foram registados 6.135 acidentes de viação, resultando em 1.576 mortes e 7.992 feridos.

As principais causas dos acidentes incluem atropelamentos, colisões entre veículos, motociclos e automóveis, e despistes seguidos de capotamento. O excesso de velocidade, a fadiga, a sonolência e o não uso do cinto de segurança foram identificados como factores significativos.

Em 2026, os dados também mostram que os sinistros rodoviários são mais frequentes nas estradas EN-100, EN-120, EN-230 e EN-240, especialmente nas províncias de Luanda, Huíla, Huambo, Benguela, Kuanza Sul, Kuando, Kubango, Bengo e Bié.