Numa analise feita na sua página oficial, intitulada " A Matemática que deveria ser feita por quem governa", o líder da UNITA começou por fazer as contas à vida dos angolanos que recebem o salário mínimo nacional de 100 mil Kwanzas.
Em Luanda, segundo o principal líder da oposição, onde vive a maioria, a renda de uma casa consome 55 mil kwanzas e o saco de arroz custa 25 mil Kz.
"Uma caixa de massa está na ordem dos 5.500 Kwanzas, uma caixa de óleo de 12 litros 27 mil Kwanzas, o frango, a caixa 20 mil, e o feijão, um Kg 1.200", afirmou, frisando que com um salário mínio nacional de 100 mil Kwanzas é difícil suportar estas despesas.
O presidente da UNITA faz ainda outras contas: a meia caixa de peixe está a custar 20 mil Kwanzas, um quilo de açúcar 1.200 KZ e uma caixa de 30 ovos 5.500 Kwanzas.
Segundo Adalberto Costa Júnior, para quem não tem rede pública, uma cisterna de água de 10 mil litros custa 25 mil kwanzas e a energia elétrica entre cinco a seis mil kwanzas.
"O transporte é um pesadelo matemático. Três táxis para a ida, três para a volta, a 300 kwanzas cada, são 1.800 kwanzas por dia. Trabalhando 22 dias, temos 39.600 kwanzas só para chegar e voltar do trabalho", contabilizou, salientando que a conta chega a 333.600 Kz, antes de roupa, higiene, medicamentos e material escolar.
De acordo com o político, uma política económica deve começar pela vida concreta e é preciso produzir mais alimentos em Angola, reduzir os custos de produção e transporte, combater os factores que encarecem os bens essenciais.
"É preciso ampliar o acesso à habitação, melhorar o transporte público e criar empregos produtivos com salários capazes de acompanhar o custo de vida", recomendou, frisando que o trabalhador não deve viver para sobreviver, mas deve trabalhar para viver com dignidade.
Referiu que governar é conhecer os números, mas, sobretudo, compreender as pessoas que esses números representam.
"Governar é fazer contas com o povo dentro delas. E quando colocamos o povo dentro da calculadora, percebemos que há uma Angola que os relatórios ainda não conseguem mostrar", concluiu.
