Esta reunião na capital angolana é exclusivamente dedicada à prevenção, gestão e resolução de conflitos, pela primeira vez na história da organização com 55 países como membros.
O objetivo desta cimeira "será passar de uma postura reativa para uma estratégia proativa", como avançou Miguel Bembe, o porta-voz da cimeira, na antecipação feita esta semana, em Luanda.
O desafio será que, a Decisão de Luanda, que vai sair do encontro, possa pôr em prática o Mecanismo de Ativação para Alerta Precoce e Ação Precoce, que está a ser preparado há algum tempo pela União Africana.
O sucesso da cimeira, segundo escreve o semanário angolano Expansão na última edição, será medido por cinco decisões: passar do alerta à ação, definir quando a UA pode intervir, juntar governação e segurança, disponibilizar dinheiro, nomeadamente com o reforço do Fundo para a Paz, e fixar responsáveis, metas e prazos.
O Presidente de Angola, João Lourenço, foi nomeado em 2022 como Defensor da UA para a Paz e a Reconciliação em África durante a cimeira especial da organização sobre terrorismo e mudanças inconstitucionais de Governo e foi o impulsionador da cimeira extraordinária que decorre este domingo, em Luanda.
Segundo o porta-voz da cimeira, Miguel Bembe, Angola propôs "uma viragem sobre a forma de organizar e, sobretudo, os resultados".
"Nós queremos resultados concretos, por isso propôs-se a eliminação de uma declaração meramente política para ter três documentos estruturantes: uma decisão, um plano de ação e um roteiro para garantir que os resultados do evento sejam implementados e termos responsáveis, prazos específicos para a monitorização e acompanhamento, apresentando relatórios de implementação", concretizou.
O programa da cimeira prevê uma cerimónia de abertura, com três intervenções, do Presidente de Angola, João Lourenço, na qualidade de anfitrião, o presidente da Comissão da UA, Mohamoud Ali Youssouf, e o Presidente do Burundi e líder da UA, Évariste Ndayishimiye.
Após a cerimónia de abertura, os trabalhos vão prosseguir à porta fechada, tendo o porta-voz da conferência sublinhado que "a cimeira é exclusivamente africana", não foram convidados parceiros internacionais, prevendo-se a presença apenas no encerramento do corpo diplomático e organizações acreditados em Angola.
Estão confirmadas a presença de pelo menos dez chefes de Estado, o mesmo número de primeiros-ministros, vários vice-presidentes e vários ministros.
Entre os chefes de Estado confirmados está o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, que antes da cimeira de domingo terá um encontro com a comunidade cabo-verdiana, já hoje, em Luanda.
A sessão extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da União Africana vai estrear o novo Palácio de Convenções inaugurado a 24 de agosto, na marginal de Luanda, com capacidade para milhares de pessoas, a pensar no turismo de negócios e eventos.
Resultado de um investimento de mais 290 mil milhões de kuanzas (quase 280 milhões de euros), o novo espaço tem um anfiteatro com três mil lugares e 12 salas, quatro das quais ainda inacabadas, e uma das quais com 500 lugares.
