Reagindo ao deslizamento de terras numa mina ilegal de ouro no município de Nambuangongo, província do Bengo, que matou 28 garimpeiros na madrugada do último sábado, a oposição diz que esta actividade é vista por muitos como uma tentativa desesperada de garantir o sustento familiar face à pobreza extrema que o País enfrenta.

O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, diz, na sua página de Facebook, que a tragédia representa "uma dor nacional" e evidencia "as fragilidades de um sistema incapaz de garantir a protecção dos cidadãos" perante actividades mineiras ilegais e altamente perigosas.

O presidente da UNITA sublinhou ainda que a exploração artesanal de ouro em Nambuangongo era do conhecimento das autoridades locais, que terão sido alertadas repetidamente para os riscos associados à actividade.

Para o político, a ausência de intervenção preventiva contribuiu directamente para a dimensão da tragédia.

"Esta tragédia não é um acaso do destino. É a consequência trágica e anunciada de um sistema que falha redondamente em proteger os seus cidadãos", declarou.

O presidente do PRAJA-Servir Angola, Abel Chivukuvuku, sublinha que a sua organização recebeu com "grande tristeza" a notícia da tragédia, que resultou na perda de vidas de jovens angolanos que procuravam sustento e melhores condições para as suas famílias, mas que acabaram expostos a ambientes de grande risco e precariedade.

Esta tragédia, refere, "deve servir de reflexão profunda sobre a dura realidade social que empurra muitos jovens para actividades de alto risco, sem condições mínimas de segurança, fiscalização e assistência".

"É urgente que se adoptem medidas concretas para proteger a vida dos cidadãos e criar oportunidades dignas para a juventude angolana", sublinha.

O membro do Comité Central da FNLA, Ndonda Nzinga, defende que o Executivo deve ter como prioridade estrutural a criação de empregos para evitar tragédias desta natureza.

"Muitos jovens arriscam as vidas em escavações clandestinas e perigosas que frequentemente resultam em tragédias, como o desabamento de terras a procura de ouro. A falta de alternativas formais de trabalho obriga a população a recorrer à mineração artesanal como única fonte de sobrevivência", alerta.

O secretário do Partido Liberal (formação política recentemente reconhecida pelo Tribunal Constitucional), na província do Bengo, Alfredo Cabeia, disse que esses jovens não se dirigiram à mina por vaidade ou ambição desmedida, mas sim pela necessidade de sobrevivência.

"A dura realidade social e económica levou-os a arriscar as próprias vidas em busca de sustento para si e para as suas famílias. Ninguém se submete a condições tão perigosas quando possui alternativas dignas de vida", lamentou.