O caso deverá chegar finalmente ao fim na próxima semana, após quatro meses de discussão e julgamento no também conhecido Palácio Dona Ana Joaquina, na Baixa de Luanda.

Na última sexta-feira, as partes discutiram e formularam os quesitos que serão dados como provados e não provados, cuja apreciação será feita na data da leitura da sentença.

No passado dia 6, durante as alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação da dupla russa a 18 anos de prisão efectiva e penas entre 10 e 15 anos para os dois cidadãos angolanos.

Além de pedir a condenação dos quatro arguidos, o MP requereu ainda a expulsão do território nacional dos cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov, após o cumprimento das respectivas penas de prisão em Angola.

Quanto ao jornalista Amor Carlos Tomé, da Televisão Pública de Angola (TPA), e ao político Francisco Oliveira, secretário para a Mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, o MP sustenta que ambos participaram nas alegadas intenções criminosas dos cidadãos russos e, por isso, pediu igualmente a condenação de ambos.

Para Amor Carlos Tomé, o MP pede a pena de 15 anos de prisão e 100 dias de multa.

Já para o arguido Francisco Oliveira, conhecido por "Buka Tanda", o MP pediu a condenação na pena de 10 anos de prisão e 60 dias de multa.

Segundo o MP, ficou suficientemente demonstrado que os arguidos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov pertenciam a uma organização terrorista internacional que pretendia colocar a UNITA no poder nas próximas eleições gerais, previstas para 2027.

O MP sustenta ainda que Igor Ratchin e Lev Lakshtanov eram os líderes do grupo, que pretendia conduzir a UNITA ao poder, e que foram os principais influenciadores da greve dos taxistas, que desencadeou protestos violentos e resultou em 29 mortos, em Julho do ano passado.

A acusação refere ainda que os dois cidadãos russos financiaram actividades terroristas através da internet, tendo gasto, para esse efeito, mais de 150 mil dólares.

Conforme o processo 3846/025, os arguidos estariam a preparar um golpe de Estado em Angola e pretendiam capturar activos económicos nacionais em troca do apoio a forças da oposição.

Os cidadãos russos Igor Ratchin Mihailovich e Lev Matveech Lakshtanov são acusados da prática de 11 crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no País e retenção de moeda.

O arguido Amor Carlos Tomé é acusado de nove crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência e burla.

Francisco Oliveira, conhecido por "Buka Tanda" e então secretário para a Mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA, responde por cinco crimes: espionagem, terrorismo, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa.

Os quatro arguidos foram detidos em Agosto do ano passado, em Luanda, na sequência da greve organizada no final de Julho pelos taxistas para protestar contra a subida do preço dos combustíveis e o aumento das tarifas dos transportes públicos, manifestação que resultou em actos de vandalismo.