Por detrás desta vertigem nos gráficos dos mercados petrolíferos estão as palavras do Presidente dos EUA, que, anunciou estarem a decorrer conversações "muito produtivas" com o Irão para terminar a guerra.
Donald Trump acrescentou aos jornalistas, junto ao seu avião oficial, o Air Force 1, como gosta de fazer, que acabara de prolongar por cinco dias o "deadline" definido para destruir toda a indústria energética do Irão se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
No minuto seguinte, ainda o pó levantado pela chegada com estrondo das suas palavras às páginas e ao ecrãs dos media internacionais não tinha assentado, em Teerão, o presidente do Parlamento, Bagher Ghalibaf, acusava Trump de estar a produzir "fake news" para efeitos de manipulação dos mercados financeiros e energéticos.
Não foi um míssil a atingir um oleoduto estratégico, mas os efeitos foram quase os mesmos, porque a "mentira" de Trump estava a ser exposta e os mercados perceberam que estavam a ser manipulados.~
A reacção foi imediata quando Bagher Ghalibaf, um político iraniano da linha dura, que, ainda por cima, estava a ser apontado pela Axios, como a outra ponta do diálogo dos norte-americanos com o Irão, disse que não havia quaisquer contactos entre Teerão e Washington.
E confirmada logo na abertura dos mercados nesta terça-feira, 24, com o barril de Brent, a referência maior para as ramas exportadas por Angola, a subir cerca de 2%, em cima dos quase 9% que ganhou ao longo do dia anterior, para os 102 USD, embora se deva ter em linha de conta que na segunda-feira baixou dos 114 para os 89 USD.
Este os analistas, está já claro que o efeito do fecho parcial do Estreito de Ormuz pelo Irão, que controla esta passagem de 20% do crude e do gás globais, além de quantidades de relevância estratégica em fertilizantes e hélio ( indústria dos chips), entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, começa a ser carga excessiva para as ambições políticas de Trump.
É que com as eleições intercalares de Novembro pela frente, e com o preço da gasolina a explodir com as suas ambições de manter as maiorias no Senado e na Câmara dos Representantes, Donald Trump precisa encontrar uma saída airosa deste imbróglio para o qual a coligação israelo-americana não estava preparada devido à resposta iraniana.
Para Trump, esta guerra, a manter-se o seu impacto nos mercados energéticos e bolsistas, e com a economia norte-americana esmagada pela inflação e pelo desemprego, pode ser uma catástrofe também pessoal.
É que o próprio já admitiu que se perder a maioria no Congresso, a oposição democrata rapidamente iniciará um processo de destituição (impeachment) contra si, com base no abrasivo escândalo de pedofilia internacional dos Ficheiros Epstein, onde o seu nome é citado milhares de vezes, e ainda porque feriu a Constituição ao avançar com uma guerra sem consultar o Congresso.
Com quase tudo a voltar ao "normal", como o mostram os atasques contínuos israelo-americanos contra o Irão e a chuva de misseis e de drones iranianos sobre Israel e os aliados dos EUA no Golfo Pérsico, e os mercados energéticos de novo inflamados, uma janela parece estar a entreabrir-se para dar uma oportunidade à paz.
É que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, confirmou já nessa terça-feira, 24, que está a dialogar com os seus homólogos do Egipto, do Paquistão e de Omã, para analisar as possibilidades de uma saída aceitável para este conflito que os EUA diziam que iria demorar 7 dias e já está na sua 4ª semana.

