Em apenas algumas horas de quinta-feira, 30, um número próximo das 50 mil pessoas, segundo algumas fontes, tentaram, e a maior parte foi bem sucedida, alcançar Ceuta, uma das duas cidades de Espanha no norte de África.
Esta movimentação de pessoas, na sua esmagadora maioria jovens oriundos de todo o continente, que ficam em Marrocos à procura de uma oportunidade para chegar à Europa, não é incomum, mas nestas números avassaladoras é raro e está a provocar uma crise diplomática entre Madrid e a França e a Itália.
É que estas pessoas que conseguem chegar a Ceuta, seja a nadar ou saltando a cerca a partir de Marrocos, na sua grande maioria procura alcançar posteriormente o norte da Europa, a França ou Itália, aumentando assim o problema migratório que aquele continente vive.
Segundo jornais como o francês Le Monde ou o italiano Corriere Della Sera, o Governo espanhol está a ser alvo de críticas porque, aparentemente, a polícia espanhola não fez o que podia para impedir este fluxo de migrantes ilegais para território da União Europeia.
O último episódio desta natureza aconteceu em 2021, quando perto de 10 mil pessoas tentaram saltar a vedação que separa África da "Europa" no norte do continente africano, embora dessa vez as responsabilidades tenham sido assacadas à negligência das autoridades marroquinas.
Todavia, nessa altura, alguns media espanhóis apontaram esta entrada massiva de pessoas em Ceuta como uma propositada fragilização da fronteira por parte de Marrocos devido a uma crise política com Espanha devido à política de Madrid com o território do Saara Ocidental, reivindicado por Rabat em confronto com os independentistas da Frente Polisário.
Milhares de pessoas morrem todos os anos a tentarem chegar à costa europeia a partir do norte de África, sendo Marrocos, a Mauritânia e a Líbia os países onde este problema mais se apresenta e cresce de dimensão devido à proximidade geográfica com o destino dos migrantes ilegais.
