Uma das causas apontadas pelos especialistas é que tenham sido as alterações climáticas e o aquecimento global que levaram ao colapso de parte do gigantesco e milenar glaciar, que, como centenas de vídeos disponíveis na internet mostram, arrastou consigo milhares de casas, pontes, estradas...

Num desses vídeos, provavelmente o mais impressionante, pode-se ver como largas dezenas de autocarros de peregrinos, na maioria budistas, e turistas, parados num enorme parque de estacionamento, são varridos pela torrente de lama, pedras e água como se fossem paus de fósforo.

Até ao momento as autoridades nepalesas e chinesas ainda não avançaram com dados concretos sobre o número de vítimas, mas alguns media avançam com a catastrófica possibilidade de serem largas dezenas de milhares, mesmo que até perto das 09:00 desta quinta-feira, 27, cerca de 12 horas após a tragédia, "apenas" cerca de 200 estivessem confirmados.

Esta inundação repentina, como notava esta manhã na CNN Portugal João Joanaz de Melo, engenheiro do ambiente e especialista em sistemas ambientais, não é incomum nesta região do mundo, onde estão os maiores glaciares e a maior concentração de gelo antigo em todo o mundo, com excepção dos polos Norte e Sul.

O que faz desta inundação abrupta diferente é que ela resulta do colapso inusitado de um glaciar de grandes dimensões, provavelmente motivado pelo aquecimento da atmosfera com origem nas alterações climáticas, sendo a amplitude da tragédia alicerçada na ocupação desadequada de territórios de cheia natural, embora raramente com esta dimensão.

Quando as equipas de socorro começam a chegar ás zonas mais afectadas, as cadeias internacionais de televisão tamb+em começam a mostrar, através de imagens aéreas, como vastas áreas urbanas foram simplesmente arrancadas do chão e levadas pela torrente, o que indicia que o número de vítimas venha a ser catastrófico.

O ministro dos Negócios Estrangeiros nepalês, Shisir Khanal, em declarações aos jornalistas, já esta manhã, refere que "localidade após localidade - entre cidades, vilas e aldeias - foi varrida do mapa em apenas algumas horas, pela força das águas", com "milhares de famílias sem casa e muitas pessoas desaparecidas".

Shisir Khanal avançou que vai levar muito tempo para se aferir de toda a extensão desta tragédia, que envolve também centenas, senão milhares, de estrangeiros que estavam a visitar a região, como sucede todos os anos, sendo que a larga maioria são peregrinos, havendo informações de que milhares que estavam na conhecida estrada Kailash-Mansorovar permanecem em paradeiro incerto.

O departamento de Turismo regional dos Himalaias do Nepal avançou já que há centenas de estrangeiros, na maioria peregrinos indianos, desaparecidos, sendo que já estão confirmadas vítimas de pelo menos 25 países. Até ao momento não há registo de angolanos na lista...

A estes somam-se os desaparecidos na parte chinesa do vale do Rio Lhende Khola, na região do Ruwa, entre o Nepal e o Tibete, com as autoridades de Pequima a falar em pelo menos 560 desaparecidos, entre estes metade estrangeiros.

Perante o perigo de haver ainda uma parte do glaciar que ficou no local e que ainda pode ceder, as autoridades nepalesas e chinesas estão a evacuar as áreas mais baixas do vale por onde correu a enchente mortífera.

Enquanto não se percebe exactamente o que motivou o colapso do glaciar, os especialistas notam que este tipo de acontecimento pode repetir-se em várias zonas dos Himalaias, onde se sucedem glaciares sobre vales com as mesmas características e igualmente afectados pelo aquecimento global.

Inicialmente, ainda se pensou que o colapso do glaciar tivesse sido provocado por um sismo, mas, depois, através da análises dos dados recolhidos por centros de pesquisa e análise geológica em todo o mundo, verificou-se que foi efectivamente sentido um sismo superior a 4 na escala de Richter, mas que este fora provocado pelo colapso da gigantesca massa de gelo antigo.