"A confiança dos cidadãos nas instituições públicas tem vindo a deteriorar-se, em grande medida devido à persistência de atitudes corruptivas e à percepção de que os mecanismos de responsabilização são ineficientes, e mesmo dolosamente inaplicáveis", disse domingo, 18, em Luanda, o político, no encerramento da 1ª convenção nacional do partido.

Outras questões de fundo apontadas pelo líder do BD têm a ver com a ausência de reconciliação nacional efectiva, deixando "um potencial de conflito" permanente que impede as instituições de se relacionarem com os cidadãos e um ambiente em que conotação com a oposição denota perda de direitos.

"Permanece um problema de fundo na sociedade angolana que é o défice de cidadania e o reconhecimento de militância como factor de privilégio, marginalizando efectivamente a maioria dos indivíduos", acrescentou.

Na sua opinião, a gestão de expectativas e o fortalecimento do espaço democrático, articulado com mecanismo de participação, serão determinantes para mitigar riscos de contestação política.

"A oposição tem de ser capaz de assumir a mudança no País, o que implica visão política, trabalhando junto do povo, liderança e bastante sacrifício", referiu.

Filomeno Vieira Lopes afirmou que o partido tem uma posição clara e consistente a favor da construção de uma frente ampla da oposição, sublinhando que essa visão não resulta de circunstâncias momentâneas nem de cálculos oportunistas.

Segundo Filomeno Vieira Lopes, o entendimento do BD assenta na leitura do actual contexto político do País, no qual considera ser vantajosa a formação de uma coligação de forças políticas com vista aos próximos desafios eleitorais.

Para o dirigente, este modelo permite preservar a identidade de cada partido e, ao mesmo tempo, clarificar junto do eleitorado que se trata de uma coligação eleitoral, construída para um momento político específico.

O líder do BD explicou ainda que a opção pela coligação contribui para uma melhor organização do campo oposicionista e para uma actuação mais eficaz no plano eleitoral.

"Estamos perante um momento que é de coligação eleitoral", frisou, acrescentando que o Bloco Democrático está preparado para seguir esse caminho.

O BD não participou oficialmente nas eleições de 2022 (só alguns dos seus membros entraram pela lista da UNITA) e no próximo pleito eleitoral de 2027 corre o risco de ser extinto, se não voltar a constar no boletim de voto.

O BD surgiu em 2010, na sequência da extinta Frente Para a Democracia (FpD), ditada pelo não realização dos mínimos requisitos por Lei 0,5 por centos de votos nas eleições de 2008.