Com a lista de mortes e infectados a aumentar diariamente desde que esta epidemia foi detectada oficialmente, a 15 de Maio, começa a ganhar dimensão a questão da realidade escondida por detrás das vítimas que não chegam às estatísticas das autoridades.

A questão principal é saber-se, como a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu, em diversas ocasiões, que um número muito elevado de vítimas acontecem nas aldeias distantes das unidades hospitalares oficiais.

Seja porque acreditam que a medicina tradicional ou a feitiçaria são mais eficazes no tratamento desta doença, seja porque muitos acabam por falecer sem sequer saber a doença que têm.

E, no entanto, as vítimas fora do mapa oficial são as grandes fontes dispersoras do vírus, que se transmite pelo contacto com os doentes e nesta região do mundo, a tradição impõe o contacto com os mortos no momento da despedida.

Outro problema é que as suspeitas de que a 17ª epidemia de Ébola começou muito antes da data oficial, havendo estudos (ver links em baixo), que poderá já estar a decorrer desde Janeiro deste ano, cinco meses antes do alerta oficial, tempo em que a infecção se espalhou sem obstáculos.

Para já, e segundo o último relatório do Ministério da Saúde da RDC, o número de mortes chegou às 4.381 e foram registados mais de 9.000 casos.

Os dados até este Domingo, 12, apontam para um total de 9.066 infeções confirmadas, com uma taxa de letalidade de 48,3%.

Esta epidemia já chegou às regiões congolesas de Ituri (no leste), Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte), Haut-Uélé (nordeste), Kivu do Norte (leste), Kivu do Sul (leste) e Ubangi do Sul (noroeste), sendo que há casos já confirmados no Uganda (debelados) e no Quénia, com pelo menos uma morte confirmada.

Esta epidemia é a segunda mais mortífera da história a nível global, embora ainda esteja longe da mais grave, que causou 28 mil casos e cerca de 11 mil mortes na África Ocidental entre 2014 e 2016.

A estirpe de Bundibugyo, responsável pela epidemia em curso, não dispõe de tratamentos médicos específicos, embora a OMS esteja a trabalhar em duas vacinas que já iniciaram ensaios em seres humanos e que, até ao momento, se revelaram seguras.

No entanto, o seu desenvolvimento poderá demorar meses.

O vírus Ébola, recorda a Lusa, transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Foi, pela primeira vez, detectado em humanos em 1976, no oeste da RDC.