Os discursos sobre o Estado da Nação são elaborados com base em inputs fornecidos pelos diferentes ministérios. Sendo assim, nenhum ministro, em sã consciência, relataria os "podres" do seu pelouro para que o Presidente da República os utilizasse durante a sua alocução. Em face disso, seria razoável esperar que os diferentes assessores do mais alto magistrado político do País fizessem o "trabalho de casa" e também eles fornecessem informação relevante ao Chefe de Estado. Isto, se o "Estado da Nação" não fosse apenas um relatório das supostas virtudes funcionais do Governo.

No caso concreto do desporto, haverá muito pouca coisa a dizer, porque nada de extraordinário aconteceu: na arena internacional, Angola conquistou o que tinha de conquistar. Assim, prevê-se que João Lourenço se debruce sobre os diferentes torneios internacionais realizados em Angola, no âmbito das celebrações do Cinquentenário da Independência do País.

O destaque, porém, deverá ser a conclusão de um conjunto de infra-estruturas desportivas, um pouco por todo o País. Os estádios, os pavilhões e outros equipamentos desportivos erguidos em Angola pelo Governo que o auxilia deverão ser as grandes bandeiras da oração do Titular do Poder Executivo. Afinal, nunca se construíram tantos recintos desportivos como agora, embora o número continue a ser insuficiente para responder às necessidades da população desportiva angolana actual.

Pode ser, inclusive, que o PR repita a delirante "cantiga" que se ouve nos gabinetes do MINJUD, segundo a qual Angola se apresta a erguer-se como o maior palco de infra-estruturas desportivas a sul do Sara. A acontecer, será, de resto, um despautério de todo o tamanho, na medida em que a África do Sul, cujo território ainda não foi deslocado da parte meridional do "continente-berço", leva larga vantagem sobre Angola nessa matéria!
Portanto, se a menção ao desporto for en passant, como se prevê, nada haverá de surpreendente. Apesar de tudo o que esta actividade representa e do seu impacto na sociedade, ela continua a ser encarada por alguns governantes apenas como entretenimento, quando, na verdade, é muito mais do que isso.